Chegada do Hyundai i20 coloca versões queridinhas do HB20 em xeque

admin
15 Jun, 2026
Resumo Desde que a Hyundai confirmou o lançamento de um novo carro nacional, começaram as especulações sobre qual modelo perderia espaço na fábrica de Piracicaba (SP). Isso porque a unidade já opera em três turnos e próxima de sua capacidade máxima. A aposta mais forte nos bastidores era o fim do HB20S. A lógica parecia fazer sentido, já que o mercado brasileiro de sedãs encolhe ano após ano, enquanto SUVs seguem ganhando participação. Mas a Hyundai decidiu seguir outro caminho Segundo executivos da marca, a produção foi reorganizada para permitir a fabricação de quatro modelos nacionais na mesma linha. A estratégia prevê a produção em lotes, alternando os veículos conforme a demanda do mercado. Isso, porém, não significa que a linha HB20 esteja imune a mudanças. Em conversa com o UOL Carros, o presidente e CEO da Hyundai Motor Brasil, Airton Cousseau, admitiu que ajustes poderão ser feitos para evitar sobreposição entre o HB20 e o novo i20. "Vamos monitorar o comportamento do mercado", afirmou o executivo ao ser questionado sobre eventuais mudanças no portfólio. No caso do HB20S, a fabricante evita falar em encerramento da produção. Mas Cousseau reconhece que a continuidade do sedã dependerá diretamente da demanda. Em outras palavras: se o consumidor migrar para o i20, o volume do HB20S poderá ser reduzido gradualmente. A coluna apurou que outra possibilidade considerada internamente é a simplificação da linha HB20, com a retirada das versões equipadas com motor turbo. Hoje, o HB20 oferece opções com motor 1.0 aspirado e 1.0 turbo de 120 cv. Com a chegada do i20, que passa a ocupar uma faixa de preços próxima e também utiliza o conhecido motor 1.0 TGDI, manter as duas linhas disputando os mesmos clientes pode fazer menos sentido. Nesse cenário, o HB20 permaneceria como opção de entrada da marca, concentrado nas versões aspiradas, enquanto o i20 assumiria o papel de modelo mais sofisticado dentro da família compacta. Como é o i20 Apesar de ser um rival natural de Volkswagen Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian, a própria Hyundai evita classificá-lo como SUV. Durante a apresentação do modelo, a fabricante definiu o i20 como um crossover, uma proposta intermediária entre hatch e utilitário esportivo. A estratégia fica mais clara nas dimensões. O modelo tem 4,13 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 2,58 m de entre-eixos e porta-malas de 346 litros. Em largura e distância entre eixos, supera concorrentes como Polo, Pulse e o próprio Tera. A gama será composta por cinco versões. Os preços partem de R$ 99.990 na Comfort 1.0 manual e chegam a R$ 139.990 na Ultimate 1.0 turbo automática. A motorização de entrada utiliza o já conhecido 1.0 aspirado flex de até 80 cv e 10,2 kgfm, combinado ao câmbio manual de cinco marchas. As versões superiores recebem o motor 1.0 TGDI flex de 115 cv e 17,5 kgfm, associado ao câmbio automático de seis velocidades. Entre os destaques estão a estreia das atualizações remotas OTA nos veículos produzidos no Brasil, freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold e pacote ADAS completo na versão Ultimate. SUV ainda vem por aí Outro detalhe que chamou atenção durante a apresentação foi a confirmação de que o i20 será apenas o primeiro integrante de uma nova família de produtos. A Hyundai não revelou oficialmente quais serão os próximos veículos, mas executivos deixaram claro que a nova arquitetura foi pensada para receber diferentes derivações. Isso reforça a percepção de que o i20 não substitui um SUV compacto tradicional dentro dos planos da marca. Pelo contrário, o utilitário ainda deve aparecer futuramente. Com isso, a pressão sobre a capacidade produtiva da fábrica de Piracicaba aumentará ainda mais. Por enquanto, a Hyundai afirma que não há planos para construir uma nova unidade no Brasil. Mas a chegada do i20 mostra que o espaço dentro da fábrica ficou mais disputado do que nunca, e que o futuro de alguns integrantes da família HB20 dependerá cada vez mais da resposta do mercado. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.