IA: aliada ou vilã na busca por diagnóstico prévio?
20 Jun, 2026
IA: aliada ou vilã na busca por diagnóstico prévio? O Diário - 20 de junho de 2026 Elis Serafim Vitório, estudante do 7o período do curso de Medicina da FACISB, orientada pelo prof. Eduardo Marcelo Cândido Compartilhar A inteligência artificial é uma tecnologia recente que, em pouco tempo, passou a integrar diversos aspectos da vida cotidiana, e a área da saúde não ficou de fora. Se antes já era comum um paciente recorrer ao Google para investigar sintomas antes de consultar um profissional, hoje muitas pessoas utilizam ferramentas como ChatGPT e Google Gemini como uma espécie de “primeira consulta”. Mas você sabe até que ponto essa prática é segura? Embora essas ferramentas sejam avançadas e tenham acesso a uma grande quantidade de informações, elas não conseguem discernir, de forma plenamente confiável, quais conteúdos possuem base científica sólida e quais são inadequados ou desatualizados. Por outro lado, profissionais de saúde são capacitados para selecionar fontes seguras, como diretrizes clínicas, livros especializados e artigos científicos validados, garantindo que apenas as melhores condutas sejam consideradas. Além disso, o cuidado em saúde vai muito além do simples relato rápido de sintomas. Em uma consulta, médicos e enfermeiros realizam perguntas direcionadas, consideram o contexto de vida do paciente, avaliam fatores de risco e conduzem o exame físico, identificando sinais que muitas vezes passam despercebidos. Já a inteligência artificial limita-se às informações fornecidas pelo usuário, possivelmente incompletas ou imprecisas, o que representa um risco significativo. Nesse cenário, a ferramenta pode deixar o paciente mais seguro e confiante através de sugestão de condições mais leves do que ele realmente apresenta, o que pode fazê-lo adiar a procura por atendimento, ou indicar doenças mais graves e raras não condizentes com a realidade, provocando assim uma ansiedade desnecessária. Vemos, portanto, que a inteligência artificial é, sem dúvida, uma ferramenta útil e com grande potencial de benefício social. Contudo, a consulta com profissionais qualificados permanece essencial e continuará sendo, por muito tempo, um pilar indispensável para o cuidado em saúde de qualidade.