Brasil desenvolve sensor para frenagem automática em carros

admin
20 Jun, 2026
Pesquisadores de universidades, institutos de pesquisa e empresas do setor automotivo desenvolvem no Brasil um sensor nacional para sistemas de frenagem automática, que poderá ser obrigatório em todos os veículos fabricados a partir de 1o de janeiro de 2029. A tecnologia é um sensor de radar chamado sistema Adas, sigla para Advanced Driver Assistance Systems (Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista). Esse sistema vai reforçar a segurança dos veículos ao viabilizar recursos como frenagem automática e assistência de permanência em faixa. [shortcode-newsletter] A sugestão para tornar obrigatório o Adas nos carros fabricados a partir de 2029 faz parte de um processo administrativo em avaliação pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), órgão vinculado ao Ministério dos Transportes. O processo já passou por câmaras temática e consulta pública, mas ainda não houve decisão. O desenvolvimento nacional é feito no Senai Park de Suape, no litoral de Pernambuco. A estrutura é uma espécie de “berçário de tecnologias” mantido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco. O investimento, coordenado pelo Senai-PE, é de R$ 44 milhões e conta com instituições como a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a UnB (Universidade de Brasília), a Volkswagen e a Stellantis (grupo dono de 14 marcas, como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën), entre outras. MAIS SEGURANÇA O diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, Oziel Alves, declarou que os sensores serão capazes de detectar obstáculos e outros veículos em diferentes distâncias, funcionando em conjunto com câmeras. “Na prática, os sistemas de frenagem automática combinam radar e câmera para tomar decisões mais seguras”, disse. Alves afirmou que o radar é responsável por detectar objetos à frente e medir, com precisão, a distância e a velocidade, enquanto a câmera complementa essas informações, ao identificar o tipo de objeto, como um carro ou uma pessoa. “Com essas duas informações integradas, o sistema consegue avaliar o risco de colisão de forma mais completa e tomar, de maneira autônoma, a decisão de acionar a frenagem automaticamente”, declarou. Alves afirmou que esse processo é conhecido como “percepção e fusão sensorial”. “Aumenta a confiabilidade do sistema, pois combina diferentes perspectivas para melhorar a percepção do ambiente e reduzir erros”, disse. No Senai Park, os desenvolvedores terão recursos como inteligência artificial e gêmeos digitais (réplica virtual de um objeto ou sistema), o que permite acelerar testes e validações sem depender exclusivamente de protótipos físicos. MENOS DEPENDÊNCIA O desenvolvimento de um sistema nacional é uma forma de o país diminuir a dependência tecnológica externa. “Ao desenvolver localmente soluções como o radar proposto neste projeto, o Brasil amplia seu know-how em tecnologias críticas, forma profissionais especializados e cria uma base de engenharia mais madura”, declarou Alves. Na visão do diretor, o desenvolvimento traz reflexos diretos da indústria, como “maior autonomia para desenvolvimento, redução gradual dos custos associados à importação e aumento da competitividade das montadoras e fornecedores locais”. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco, Bruno Veloso, classifica a iniciativa como “soma de esforços da indústria automobilística”. “Temos empresas e instituições de pesquisa e desenvolvimento juntas aqui. É só com essa soma de conhecimentos que estaremos prontos para enfrentar os nossos desafios”, disse Veloso. A diretora regional do Senai PE, Camila Barreto, chamou o esforço para diminuir a dependência externa de “tropicalizar tecnologias”. “Temos um parque tecnológico, o Senai Park, para implantar todos esses projetos. É lá que a bateria de lítio vai ser desenvolvida”, afirmou Camila, em referência ao armazenamento de energia essencial para a crescente frota de carros híbridos e elétricos. Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil em 15 de junho de 2026, às 14h. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.