Meteorito encontrado em Marte revela mineral inédito no planeta

admin
22 Jun, 2026
A análise de um meteorito vindo de Marte revelou a presença de granada do tipo andradita, um mineral muito comum em certos tipos de rochas da Terra, mas nunca confirmado no planeta vermelho até agora. A descoberta foi publicada na última semana na revista científica Geochemical Perspectives Letters. Na Terra, esse tipo de mineral costuma se formar em ambientes com calor intenso, alteração química por fluidos quentes ou em certos magmas especiais. [shortcode-newsletter] Apesar de os cientistas dizerem ser alta a probabilidade de a rocha ser de Marte, existe uma chance de o fragmento ter vindo de outro meteorito que caiu no planeta. Os pesquisadores vão realizar análises extras para confirmar a origem. Eis a íntegra, em inglês, do estudo (PDF – 14 MB). Dentro do meteorito, chamado de NWA 8171, os cientistas acharam um pequeno fragmento de rocha composta principalmente por: granada do tipo andradita; piroxênio (diopsídio/augita); feldspato; apatita. Os cientistas classificaram essa 1a identificação de “um tipo de rocha contendo granada em um meteorito marciano” como “significativa”. Isso porque, na Terra, as granadas andraditas são “comumente associadas ao metamorfismo de contato e ao metassomatismo”. Em Marte, em contrapartida, a extensão e a natureza do metamorfismo “permanecem especulativas”. No artigo, os autores do estudo propõem algumas hipóteses para a formação do NWA 8171. Em uma delas, os cientistas falaram sobre a possibilidade de a água ter circulado por rochas marcianas, alterando sua composição química e formando o meteorito. “A assembleia mineral com andradita pode ter se formado na superfície de Marte por metamorfismo térmico localizado, ajudado por fluidos”, lê-se no estudo. Essa hipótese indica que Marte teve, em algum momento, sistemas hidrotermais. A outra conjectura é que a rocha tenha vindo de um magma diferente do que se conhece. Nesse caso, o interior de Marte pode ser mais diverso do que se pensava, com a existência de tipos de vulcanismo ainda desconhecidos. “Se esse fragmento de rocha com andradita for resultado de processos metasomáticos ou metamórficos em Marte, o planeta pode registrar as condições ambientais de antigos sistemas hidrotermais associados a impactos ou à intrusão de grandes massas de magma no subsolo”, declaram os pesquisadores. “Por outro lado, se ele tiver se formado em altas temperaturas, esse fragmento pode representar uma fonte geológica ainda não amostrada ou um caminho de diferenciação magmática ainda desconhecido, o que pode trazer novos insights sobre como a crosta de Marte evoluiu ao longo do tempo”, disseram.