Seleção se prepara para calor na Copa com testes de suor e urina

admin
23 Jun, 2026
Resumo Na luta pelo hexacampeonato, a seleção brasileira se prepara para todos os desafios que possa enfrentar pelo caminho. Dos adversários ao clima nos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, o Brasil enfrenta a Escócia, pela terceira rodada da fase de grupos em Miami, cidade em que o calor tem castigado, por mais que o jogo ocorra às 18h (horário local). As altas temperaturas podem prejudicar a performance. Não à toa, a Fifa estabeleceu as paradas para hidratação em todos as partidas do Mundial. Os termômetros atingiram a casa dos 35 C graus nesta semana na cidade da Flórida, mesma temperatura prevista para o dia da partida. Estudos científicos comprovam que a hidratação é fundamental para uma boa performance e, diante deste cenário climático, é tratada com ainda maior relevância. A delegação brasileira adota uma metodologia especial para manter os jogadores hidratados. Eles são submetidos periodicamente a testes de suor e de urina em parceria com Gatorade, uma das patrocinadoras da seleção brasileira. As avaliações consistem em aplicar adesivos nas costas e nos braços dos atletas para captar uma amostra de suor e, assim, entender a quantidade de líquido e sais mineiras que eles perdem durante a atividade física. Todos eles também são pesados antes e depois dos treinos. Para uma maior eficácia, é preciso saber a quantidade exata de líquido que o atleta consumiu e cada um tem sua própria garrafinha com seu nome. Os resultados são analisados em laboratório e, assim, o departamento de nutrição da CBF consegue elaborar um protocolo individual com a recomendação exata da quantidade de líquido (água e isotônicos) que o atleta precisa consumir para repor o que perdeu. Isso porque dois atletas podem fazer a mesma atividade física e perder nutrientes de forma totalmente diferente. Assim, uns precisam de mais, outros de menos reposição. Antes do treino, também são coletadas amostras de urina para identificar a concentração. A coloração também é observada. Assim, é possível identificar se o atleta está desidratado ou não. Esse trabalho foi realizado ao longo dos últimos meses em preparação para a Copa. A partir daí, a CBF entendeu como trabalhar e orientar melhor os jogadores. E hoje segue alguns pilares: hidratação prévia, individualização, recomendação de eletrólitos e carboidratos para o líquido permanecer no corpo por mais tempo. "A desidratação tem um impacto tanto na performance física do atleta quanto mental. Quando a gente está desidratado, a gente tem menos líquido circulante no nosso corpo e, consequentemente, leva menos quantidade de nutrientes e oxigênio tanto para o cérebro quanto para a musculatura, o que compromete que tudo funcione da melhor forma. Com isso, temos a diminuição de performance e aparece a fadiga precoce ou um cansaço do cérebro, a fadiga mental", explicou a nutricionista Fernanda Bigliazzi, representante do Gatorade Sports Science Institute - instituto de pesquisa da empresa de isotônicos que é a parceria da CBF na análise. Poucos sabem que a desidratação causa prejuízo não só físico, mas também mental. Com a fadiga, o desempenho cognitivo cai. Ou seja, o jogador pode até errar um passe ou uma finalização se estiver desidratado. "Algumas habilidades são perdidas como concentração, foco, habilidade de resposta rápida como no caso do goleiro que precisa fazer uma defesa. Tudo isso pode ser impactado", disse Fernanda. No caso das altas temperaturas, o impacto é ainda maior. "A gente produz calor no movimento, conforme se movimenta e se exercita produz este calor. E o calor precisa sair de alguma forma, senão a gente vai superaquecer e fadigar. Então a gente tem uma perda maior e necessita de mais hidratação tanto antes, quanto durante e depois da atividade", explicou. Por isso, sob o ponto de vista da nutrição, os "cooling breaks" são bem vindos. "Qualquer momento de pausa para hidratar é importante, acredito que há um impacto positivo na performance. Você evita que a sede apareça, diferente de esportes que não dão brechas para pausas como corrida ou ciclismo", analisou Fernanda. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.