Marca chinesa fará rival do Dolphin no Ceará com investimento de R$ 400 mi
25 Jun, 2026
Resumo A MG Motor oficializou nesta quinta-feira (25) o início de sua produção no Brasil. A marca britânica, controlada pelo grupo chinês SAIC, será a segunda montadora a fabricar veículos na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte (CE), onde também são montados modelos da Chevrolet. A produção dos veículos terá início ainda em 2026. Em um primeiro momento, a empresa montará o hatch elétrico MG4 Urban e o SUV elétrico MG S5. Para isso, a MG e a Comexport, proprietária da PACE, estão investindo R$ 400 milhões. O valor contempla cerca de R$ 60 milhões para preparação e adaptação da linha de fabricação e outros R$ 340 milhões destinados à infraestrutura, treinamento e inovação. A MG projeta a produção de 50 mil veículos nos próximos quatro anos, com a criação inicial de 600 empregos diretos e indiretos. Thiago Marques, head de Marketing e Produto da MG, afirmou que o investimento "reforça a ambição da MG de não ser apenas um agente ativo na produção, mas também catalisadora da inovação tecnológica no país". Segundo o executivo, "este é apenas o começo da jornada da MG no Brasil, que vai além da produção e também inclui a expansão da rede de concessionárias para mais de 70 pontos de venda até o final de 2026". A chegada da MG marca mais um avanço da ofensiva das fabricantes chinesas no Brasil e fortalece a estratégia de nacionalização da produção para reduzir os impactos da retomada do Imposto de Importação de 35% sobre veículos eletrificados, que atinge seu teto em julho. A marca pertence ao grupo SAIC, maior montadora estatal da China e parceira histórica da General Motors no mercado chinês. Curiosamente, as duas empresas passam agora a compartilhar o mesmo complexo industrial também no Brasil. Como serão os novos carros fabricados no Brasil O modelo de produção escolhido pela MG na fábrica PACE será o SKD, o mesmo utilizado pela Chevrolet, quando os carros chegam ao Brasil semidesmontados e passam por uma etapa de finalização local. O MG4 Urban será o modelo de entrada da marca produzido no Ceará. O hatch elétrico, a ser lançado nos próximos meses, mede 4,39 metros de comprimento e 2,75 metros de entre-eixos, e chega para disputar espaço com modelos como BYD Dolphin e GWM Ora 03 na faixa de R$ 150 mil. A Urban é configuração de entrada da linha MG4, a motorização esperada utiliza motor elétrico traseiro de até 163 cv e 25 kgfm de torque, alimentado por baterias de 42,8 kWh ou 54 kWh. A autonomia varia entre cerca de 300 e 360 quilômetros pelo padrão do Inmetro, dependendo da versão. Já o MG S5, que já está à venda no país, é a aposta da fabricante no segmento de SUVs elétricos compactos. Desenvolvido sobre a plataforma modular MSP, a mesma utilizada pelo MG4, o utilitário esportivo tem 4,48 metros de comprimento, 2,73 metros de entre-eixos e porta-malas de aproximadamente 453 litros. Partindo de R$ 199.800, o SUV é equipado com bateria de 64 kWh que oferece 351 km de autonomia no padrão Inmetro, e o motor entrega 205 cv de potência. "Manutenção dos incentivos permitiu o investimento", diz governador do Ceará O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), afirmou que a instalação da MG no estado só foi possível porque os incentivos fiscais destinados à indústria automotiva do Nordeste foram preservados durante a tramitação da reforma tributária. Ele lembra que parlamentares de outras regiões chegaram a aprovar a retirada do benefício, mas governadores e parlamentares nordestinos conseguiram reverter a decisão durante a votação no Congresso. Elmano disse que, quando a disputa pelos incentivos ocorreu, ainda não havia uma negociação avançada para a instalação da montadora chinesa no Ceará. Mesmo assim, defendeu a manutenção do regime diferenciado por entender que ele era essencial para a política de desenvolvimento regional. "Nós garantimos o incentivo da indústria automobilística do Nordeste. Pouco tempo depois começamos a discutir a implantação de uma planta automotiva multimarcas no Ceará. Veja como fazer a coisa certa trouxe resultados", afirmou. Na avaliação do governador, a preservação dos incentivos mantém o Nordeste competitivo na disputa por investimentos da indústria automotiva. "Eu sabia que manter o incentivo era importante para o Nordeste e que, em algum momento, poderia surgir uma oportunidade para o Ceará. Foi exatamente o que aconteceu", disse. Antiga fábrica da Troller ganha nova vida A fábrica de Horizonte nasceu como casa da Troller e se tornou um dos símbolos da indústria automotiva cearense. O complexo foi inaugurado no fim da década de 1990, ganhou escala após a compra da marca pela Ford, em 2007, e produziu o utilitário T4 até 2021, quando a montadora americana decidiu encerrar sua produção de veículos no Brasil e fechou todas as suas fábricas no país. Após anos sem atividade, o complexo foi reativado pela Comexport, que transformou a antiga fábrica na PACE (Planta Automotiva do Ceará), um projeto inédito no Brasil baseado no conceito de produção multimarcas. A planta foi concebida para receber diferentes fabricantes utilizando a mesma infraestrutura industrial, reduzindo custos e acelerando o início das operações. A General Motors foi a primeira empresa a aderir ao projeto, iniciando a montagem do Spark EUV no fim de 2025 e, mais recentemente, do Captiva EV. Agora, com a chegada da MG, a PACE amplia sua ocupação e reforça a proposta de se consolidar como um polo nacional de produção de veículos eletrificados. Expansão chinesa A produção local faz parte de um movimento cada vez mais amplo das montadoras chinesas no Brasil. Além da MG, empresas como BYD, GWM, GAC, Geely, Omoda & Jaecoo, Leapmotor e Changan também anunciaram fábricas ou projetos industriais no país nos últimos anos. Ao optar pela produção nacional, essas empresas buscam reduzir custos logísticos, ganhar competitividade diante da recomposição das tarifas de importação e conseguir exportar parte do excesso de produção chinês. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.