Carro favorito de jogadores da Copa é uma contradição de R$ 2,1 milhões
29 Jun, 2026
Resumo O Mercedes-AMG G63, também conhecido como G63 AMG, é um dos carros mais associados aos protagonistas globais dos meses de junho e julho: os jogadores de futebol. Assim, a época da Copa do Mundo dos EUA, México e Canadá é uma boa oportunidade de falar do jipe que ocupa os sonhos dos fãs de off-road e também do universo dos esportivos. E é claro que essa paixão é alimentada pela frequente exposição não apenas por jogadores de futebol, mas também por celebridades globais de outras áreas - como cinema e música. Entre os atletas da Copa de 2026 que têm ou já tiveram um G63, estão nomes do calibre de Cristiano Ronaldo e Neymar. Mas o G63 AMG, que no Brasil parte de R$ 2,1 milhões, é uma verdadeira contradição. Única configuração do Classe G trazida oficialmente pela montadora, ela não consegue entregar nem a esportividade nem a aptidão para o off-road pesado que se espera do jipe. Por quê? Origem dos anos 70 Para entender, vamos contar brevemente a história do Classe G, que surgiu nos anos 70 como um jipe militar e posteriormente ganhou versão civil. Como o Porsche 911, o SUV da Mercedes é fiel às origens, e mantém muitas coisas do primeiro modelo - como o mecanismo de abertura das portas e porta-malas. Porém, ao longo da carreira ele também foi ganhando atualizações para se tornar o ícone do luxo que é atualmente - especialmente na versão topo de linha AMG. O interior recebeu muita sofisticação e a suspensão dianteira trocou, na atual geração, o eixo rígido pelo sistema multlink. Mas, atrás, o eixo rígido é mantido, e o jipe continua sendo construído com carroceria sobre chassi - diferentemente do que ocorreu com outro ícone do 4x4, o Defender, que passou a ser feito sobre base de carro de passeio. O visual de linhas quadradas do modelo original não apenas continua presente, como é também uma das características que fazem do Classe G o ícone que é. A versão AMG Chegamos, então, ao modelo disponível no Brasil por meio de importação oficial. O G63 é justamente a versão do Classe G escolhida pelas celebridades. Muitas vezes, aliás, em uma configuração ainda mais apimentada, trabalhada pela preparadora Brabus - caso de um dos modelos da coleção de Cristiano Ronaldo. Assim como as demais versões do Classe G, a 63 é alta e tem uma aptidão off-road absurda. A robustez é garantida, além da construção, pela tração integral com coisas como três tipos de bloqueio de diferencial. O veículo é capaz de transpor trechos alagados, terrenos inclinados e subidas íngremes. Porém, a versão AMG vem originalmente sem os pneus off-road. Os componentes do jipe são ideais para veículos de alta performance, que o 63 tem - afinal, ele usa um V8 biturbo de 585 cv e acelera de 0 a 100 km/h em pouco mais de 4 segundos. E, sem os pneus para o fora de estrada, toda essa capacidade 4x4 do G63 fica limitada. Vamos olhar, então, para o lado esportivo do jipe. A divisão AMG, da Mercedes-Benz, preparou suspensão, freios, direção e outros componentes do carro, que tem também amortecedores especiais adaptáveis a condições diversas de rodagem. De fato, o jipe é extremamente divertido, especialmente quando aceleremos e escutamos o ronco grave do V8 biturbo - as saídas de escape são nas laterais. Porém, o G63, com altura e largura semelhantes e amplo vão livre do solo (24 cm), nunca será um modelo próprio para as pistas, como outros AMG. Mesmo SUVs como o GLE AMG podem oferecer boas experiência em um track day. Já o G63, com seu centro de gravidade alto demais, não é para este fim. Com ele, a diversão para acelerar e fazer curvas é mais voltada para estradas. Estilo de vida Assim, o G63 não consegue ser nem um esportivo pleno, nem um 4x4 robusto sem ressalvas. É claro que quem quiser pode colocar pneus off-road no veículo e partir para desafios que poucos carros são capazes de transpor. Mas a verdade é que quem compra o G63 está pouco interessado no lifestyle off-road, e também não é adepto ao estilo de vida de track days - ao menos, não com esse veículo. Para o primeiro grupo, um G500 (não vendido pela Mercedes no Brasil) seria mais adequado. Para o segundo, qualquer outro AMG. Enquanto isso, o G63 é aquele carro urbano, mesmo sem grande aptidão para o uso no dia a dia - principalmente por ser alto e largo. É aquele veículo que transmite sucesso e, ao mesmo tempo, personalidade. Afinal de contas, é muito diferente de um automóvel comum. É impossível ficar indiferente às linhas do SUV. Aliás, um Storie sobre o G63 das fotos desta página foi o mais visto da história de meu perfil no Instagram, tamanha é a repercussão que o produto causa. Assim, esse Mercedes é para ser visto, e para se divertir com o luxo da cabine e o som arrepiante do motor. Mudanças A Mercedes-Benz voltou a importar o G63 ao Brasil em 2023. Porém, o modelo já chegou defasado, pois estava ainda desatualizado na Europa. Então, em janeiro de 2025, veio a versão atual, que trouxe novidades necessárias - e que faziam falta em um modelo de mais de R$ 2 milhões. Na atualização, o G63 passou a vir com central multimídia sensível ao toque. Antes, era comandada no console central. Outra novidade fica por conta do Android Auto e do Apple CarPlay sem fio. O carro vem ainda, agora, com entradas USB do tipo C. A novidade mais bem-vinda é a bateria de 48V que alimenta um pequeno propulsor elétrico, para aliviar o trabalho do V8 em algumas situações. O sistema é o chamado híbrido leve e, no caso do G63, ajudou a reduzir o consumo (em 28,5%) e aumentar a autonomia. Em teste na estrada, à velocidade média de 110 km/h, o carro fez 9 km/l. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.