Ex-árbitros da Fifa questionam decisões diferentes nos casos de Balogun e Quansah

admin
10 Jul, 2026
Ex-árbitros da Fifa questionam decisões diferentes nos casos de Balogun e Quansah A forma como a Fifa lidou com dois casos de cartão vermelho na Copa do Mundo voltou a ser alvo de críticas nesta quinta-feira, após o defensor inglês Jarell Quansah receber um gancho de duas partidas, enquanto o atacante norte-americano Folarin Balogun escapou da suspensão automática por uma falta semelhante. Isso deixou ex-árbitros internacionais sem conseguir conciliar as duas decisões. Quansah foi expulso na vitória da Inglaterra sobre o México nas oitavas de final, depois que uma análise de vídeo considerou o seu carrinho com a chuteira erguida como uma falta grave. Posteriormente, ele recebeu uma suspensão de duas partidas, contra a qual a Federação Inglesa de Futebol afirmou não poder recorrer. Balogun, por outro lado, foi expulso durante a vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia nos 16 avos de final, mas recebeu uma punição de uma partida que a Fifa, órgão que rege o futebol mundial, posteriormente suspendeu. O gancho de Balogun foi suspenso sob um período condicional de um ano, nos termos do Artigo 27 do código disciplinar, disse a Fifa, embora não tenha explicado publicamente por que considerou essa sanção apropriada no caso dele. O fato de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter pessoalmente instado o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a rever o caso de Balogun apenas intensificou a polêmica, embora a Fifa tenha insistido que a conversa não teve influência alguma em sua decisão. "A Fifa falhou em seu dever para com o esporte ao adiar a suspensão de Balogun. Ela permitiu interferência externa do presidente", escreveu o ex-árbitro Keith Hackett nas redes sociais nesta quinta-feira. "A Fifa, principal entidade reguladora, está em falta. Mas ambos os jogadores cometeram faltas graves, puníveis com cartão vermelho." INFRAÇÕES PRATICAMENTE IGUAIS Jonas Eriksson, que foi árbitro da Fifa por 16 anos a partir de 2002, disse que, se Balogun recebeu uma suspensão de uma partida, Quansah também deveria ter recebido, porque os dois incidentes em campo foram praticamente equivalentes em termos de intensidade e agressividade. "O que todos esperam dos árbitros são decisões corretas, sim, mas o mais importante é sempre a coerência", afirmou Eriksson à Reuters. "Que você perceba: ok, o jogador A recebe a mesma punição que o jogador B. O time A recebe a mesma punição que o time B. Sabe, é isso que se espera. E esse não é o caso quando se trata de Quansah e Balogun." Eriksson disse que a suspensão da punição de Balogun nunca foi adequadamente explicada, o que contribuiu para o alvoroço. A Bélgica contestou, sem sucesso, a elegibilidade de Balogun antes de sua vitória nas oitavas de final contra os Estados Unidos, mas a Fifa ainda não disse publicamente por que decidiu suspender a punição do atacante com base no Artigo 27. "Se não conseguem explicar como interpretam a situação — se foi uma decisão incorreta do árbitro ou uma aplicação errada das regras do jogo —, nós não sabemos", disse Eriksson, cujo livro "House of Cards" explora o "jogo sujo por trás do jogo" para os árbitros da Fifa. "Resta apenas a você, a mim e a todos os demais adivinhar. Mas, tendo isso em mente, o cartão vermelho para Quansah e a suspensão são, para mim, simplesmente um mistério."