Jogo dos 7 erros: Os tropeços que Boninho precisa corrigir se a Casa do Patrão voltar

admin
13 Jul, 2026
A gente manda. Você recebe. Depois manda a real pra todo mundo. DÁ PARA SALVAR? REPRODUÇÃO/RECORD Leandro Hassum na Casa do Patrão: apresentador até tem potencial, mas precisa ficar mais solto A primeira temporada da Casa do Patrão chega ao fim nesta quinta-feira (16) com muitas promessas, mas poucos acertos de fato. Se a Record e o Disney+ decidirem trazer o reality show de volta no ano que vem, o diretor J. B. Oliveira, o Boninho, terá de fazer uma série de ajustes para evitar que o formato se consolide como mais um fracasso no seu currículo. Leandro Hassum, muito criticado no decorrer da edição, não é uma escolha de toda errada --apesar de Dudu Camargo claramente ser uma opção melhor para o posto, como o Notícias da TVhavia indicado em março. Mas a presença do humorista precisa melhorar muito caso ele retorne em 2027. O processo de escolha dos participantes também deve ser diferente. A quantidade de plantas aprovadas em um elenco de 18 pessoas é inaceitável para qualquer reality show, ainda mais para um estreante que ainda tenta se provar como uma alternativa a formatos do gênero já consagrados. Aliás, talvez seja o caso de Boninho "roubar" uma página do manual do colega Rodrigo Carelli e escalar "celebridades" (principalmente aquelas de fama bastante questionável) para a próxima Casa do Patrão. Confira sete elementos que precisam melhorar se o reality voltar mesmo: O comediante vive uma situação curiosa no comando do reality show. Ele parece gostar muito da função e até dos participantes, mas se atrapalha mais de uma vez por programa --o que gera uma quantidade infindável de críticas nas redes sociais e na imprensa especializada. Quem conhece os bastidores da TV consegue até imaginar Boninho gritando pelo ponto eletrônico no ouvido do apresentador, o que confundiria qualquer um, mas para quem assiste à atração apenas pelo entretenimento, a impressão é de que o humorista não sabe o que está fazendo --o que não é necessariamente verdade. Hassum é um profissional experiente e um comediante de raciocínio rápido, que poderia se sair muito melhor se ficasse mais soltinho. Tanto que um dos melhores momentos da temporada ocorreu quando Sheila Barbosa decidiu apostar R$ 666 na eliminação de Jackson Fonseca e o humorista respondeu, no improviso, que eles estavam na Record e que um número associado ao demônio não teria vez na emissora ligada à Igreja Universal. Por outro lado, Leandro Hassum precisa urgentemente estudar o manual de regras do formato e se inteirar sobre as dinâmicas que serão realizadas no jogo. Pelo menos uma vez por semana, o apresentador se confundiu com alguma explicação e precisou voltar atrás no que já havia dito, apenas deixando os participantes e o público mais perdidos. Em alguns momentos, o comediante também pareceu ficar refém de gafes da produção. Em provas, ele errou na hora de convocar um confinado para jogar, pulando a vez de quem seria o próximo da fila, e também se confundiu durante o direito de resposta dos participantes em votações. Se Hassum deseja que o público o leve a sério, ele não pode dar motivos para ser questionado. O público dos realities da Record sabe exatamente o que quer ver na TV: celebridades de fama duvidosa, como ex-panicats e barraqueiros de programas de pegação, que estão dispostos a fazer qualquer coisa para prorrogar seus 15 minutos de fama. É até compreensível que Boninho queira se afastar do que Rodrigo Carelli tem feito nos formatos conduzidos por ele, mas é inegável que a ideia da Casa do Patrão funcionaria muito melhor se o espectador pudesse ver mulheres-fruta brigando por uma marmita ou tendo que lavar uma cueca suja. É mais legal do que assistir uma recepcionista ou um motoboy fazendo o mesmo, não? Caso o diretor não queira fazer a transição completa para as subcelebridades, uma opção seria a mistura de famosos e anônimos. Afinal, a inclusão dos Camarotes no BBB 20 deu um novo fôlego para o programa da Globo --que, vale lembrar, estava mesmo precisando de uma renovação. Também é essencial que o processo seletivo para o reality seja repensado --ou até completamente reformulado-- para a segunda temporada. A seleção de elenco sempre foi uma pedra no sapato de Boninho (vide os BBBs 6, 17 ou 19), e todos sabem que bons participantes podem salvar até um formato ruim. Infelizmente, na Casa do Patrão, a escolha deixou muito a desejar. Para um time de apenas 18 participantes, a quantidade de plantas é surpreendente. Alguém aí se lembra de alguma ação interessante de Thiago Monteiro, de Andressa Karoline ou de Marcelo Skova na casa? Diga o que quiser sobre A Fazenda ou o Power Couple, mas a criatividade da equipe de provas de Rodrigo Carelli é inquestionável. Os participantes são suspensos em guindastes, tomam choques, encaram baratas e lesmas, tacam fogo em cordas... Inclusive, as gincanas são, muitas vezes, melhores do que as promovidas pela Globo no BBB. Boninho, por sua vez, estreou a Casa do Patrão com uma dança das cadeiras. Foi um tapa na cara de quem esperava provas elaboradas, inventivas e que instigam o público. Se o reality voltar mesmo, precisa investir em dinâmicas mais elaboradas, que pareçam superproduções --e não algo que você poderia fazer em casa para a festinha de aniversário do seu filho. Por falar em provas da Casa do Patrão, o primeiro dia do confinamento já trouxe outra decepção para o público. Após a dança das cadeiras, os participantes disputaram a Prova do Patrão inicial, uma dinâmica de bola ao alvo que demorou demais e não teve sua conclusão exibida na Record. No meio da disputa, Leandro Hassum simplesmente apareceu na tela para avisar ao público que a atração teria de ser encerrada e que a dinâmica continuaria apenas para os assinantes do Disney+. Foi uma quebra de confiança muito grave para ocorrer logo na estreia de um formato. Uma eventual segunda temporada da Casa do Patrão precisa aumentar a transparência com o público. É ótimo que os participantes sejam pegos de surpresa com reviravoltas da produção, mas o espectador precisa saber exatamente o que esperar do jogo para continuar a vê-lo. Por fim, as regras estabelecidas do programa precisam ser seguidas à risca. O fracasso inicial do reality parece ter preocupado Boninho a ponto de ele mudar tudo no meio da temporada: liberou administradores para as redes dos participantes (algo que ele já havia definido como algo inaceitável e o grande problema do BBB nas últimas temporadas), alterou a formação do Tá na Reta e mudou a rotina do jogo e as responsabilidades de cada um. Muitas alterações foram bem-vindas, outras nem tanto, e algumas ficaram apenas na promessa. Nenhuma delas, porém, deveria ter ocorrido no meio da edição. Mudar o jogo em curso é passar um atestado de fracasso --e ainda transmite uma sensação de amadorismo. Silvio Santos (1930-2024) podia fazer isso na Casa dos Artistas (2001-2004) porque tinha carisma para brincar e para ludibriar o público e os participantes sem que todos se sentissem enganados. O "patrão" original tinha muitas características que poderiam servir de inspiração para Boninho; mas ignorar o regulamento e seguir as vozes da própria cabeça não deveria ser uma delas. © 2026 Notícias da TV | Proibida a reprodução Mais lidas Política de comentários Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.