Cartolouco questiona reportagem da Globo sobre processos de violência
14 Jul, 2026
Resumo O jornalista e influenciador digital Lucas Strabko, conhecido como Cartolouco, se manifestou após três ex-namoradas relatarem ao Fantástico (Globo) que foram vítimas de violência doméstica durante os relacionamentos com ele. O que aconteceu Cartolouco afirmou que a "Globo mentiu" na matéria exibida no último domingo. Segundo ele, a reportagem "não apresenta de forma correta o histórico do caso envolvendo Gabriella Augusto". De acordo com ele, o episódio envolvendo Gabriella foi parar na Justiça, e o influenciador acabou inocentado. O Fantástico, por sua vez, afirmou que a denúncia da mulher — assim como de outra ex-namorada — não chegou à Justiça. O UOL procurou a Justiça de São Paulo para saber qual o andamento dos processos e aguarda retorno. A acusação feita por Gabriella foi formalmente levada à Justiça em julho de 2023. Após a análise do caso pelas autoridades competentes, o processo foi encerrado em setembro de 2024 com a absolvição de Lucas. Dessa forma, não apenas houve um processo judicial, como também houve uma decisão favorável a Lucas. A ausência dessa informação na reportagem omitiu um elemento central para a compreensão dos fatos e impediu que o público tivesse acesso ao desfecho completo do caso. Trecho de nota oficial de Lucas Strabko, o Cartolouco Em relação ao processo em andamento, ele "reafirma que nunca se recusou a prestar esclarecimentos e que continuará à disposição da Justiça até a conclusão do caso". Lucas virou réu e responde por agressão física e violência psicológica contra uma ex-namorada. O episódio teria acontecido no fim de janeiro. Procurada pelo UOL, a Globo não se manifestou até o momento. A reportagem será atualizada caso haja algum retorno. Veja a nota na íntegra Globo mentiu informação sobre Cartolouco no Fantástico: "Fui processado e absolvido" Lucas Strabko, conhecido como Cartolouco, contesta informações apresentadas em reportagem veiculada no Fantástico do dia 12 de julho, sobre acusações feitas por três ex-namoradas. Na reportagem, foi afirmado que duas das três mulheres mencionadas não teriam levado as acusações à Justiça. A informação, no entanto, não apresenta de forma correta o histórico do caso envolvendo Gabriella Augusto. A acusação feita por Gabriella foi formalmente levada à Justiça em julho de 2023. Após a análise do caso pelas autoridades competentes, o processo foi encerrado em setembro de 2024 com a absolvição de Lucas. Dessa forma, não apenas houve um processo judicial, como também houve uma decisão favorável a Lucas. A ausência dessa informação na reportagem omitiu um elemento central para a compreensão dos fatos e impediu que o público tivesse acesso ao desfecho completo do caso. Em vídeo publicado em suas redes sociais, Lucas apresentou documentos e registros de conversas que ajudam a contextualizar a relação entre ambos. Entre os materiais divulgados, estão mensagens enviadas por Gabriella durante a vigência da medida protetiva. Lucas afirma que não respondeu aos contatos naquele período, em respeito às determinações judiciais. Os registros também mostram que Gabriella voltou a procurá-lo após o encerramento do processo e que os dois se encontraram em 2025. A apresentação desse material não tem como objetivo atacar ou expor qualquer pessoa, mas demonstrar que existem informações relevantes que precisam ser consideradas para uma compreensão equilibrada dos acontecimentos. Em relação ao processo atualmente em andamento, Lucas reafirma que nunca se recusou a prestar esclarecimentos e que continuará à disposição da Justiça até a conclusão do caso. Ele confia na apuração dos fatos e no pleno exercício de seu direito de defesa, sem julgamentos antecipados. Lucas reconhece a gravidade da violência contra a mulher e reforça que sua manifestação não pretende deslegitimar denúncias, relativizar relatos ou enfraquecer uma causa legítima e necessária. Seu posicionamento busca exclusivamente apresentar fatos que não foram contemplados na reportagem, esclarecer que já foi absolvido em uma das acusações mencionadas e assegurar que sua versão também seja conhecida pela sociedade. Casos dessa natureza exigem responsabilidade, precisão e respeito a todas as pessoas envolvidas. Lucas espera que as decisões judiciais, os documentos disponíveis e o direito ao contraditório recebam a mesma atenção concedida às acusações. Entenda as denúncias contra Cartolouco Em abril deste ano, a colunista Alicia Klein noticiou em primeira mão a intimação de Lucas Strabko no inquérito de apuração dos crimes de lesão corporal qualificada, violência psicológica, injúria e dano contra uma ex-namorada de 32 anos. O caso, enquadrado na Lei Maria da Penha, reúne um robusto lastro documental, incluindo registros de mensagens, laudos médicos, exames psicológicos e imagens de câmeras de segurança, que detalham uma dinâmica progressiva de abusos e agressões físicas durante o relacionamento de dez meses. A investigação apontava para episódios graves de violência física e patrimonial, como agressões com chutes, empurrões e destruição de objetos pessoais durante uma viagem a Cusco, no Peru, em dezembro de 2025. Já em janeiro de 2026, de volta a São Paulo, o influenciador teria arremessado uma bebida no rosto da vítima e causado uma queimadura em seu ouvido com um cigarro aceso — ato presenciado por uma testemunha —, além de tentar invadir o condomínio da ex-companheira na mesma madrugada. O inquérito cita ainda ofensas misóginas recorrentes e o severo abalo à saúde mental da denunciante. O histórico de Strabko também apresentaria uma medida protetiva de urgência contra ele obtida por outra ex-namorada em 2023, além de reportagens de 2020 que já expunham prints onde o jornalista admitia agressões a parceiras anteriores. A advogada da vítima, Juliana Santos Garcia, reforçou que os elementos concretos apontam para um padrão de violência que precisa ser interrompido pelas vias criminais formais. Procurado pela coluna, Lucas Strabko negou veementemente todas as acusações. Nova acusação Em maio passado, Alicia ainda revelou em sua coluna o relato detalhado de uma terceira ex-companheira do influenciador e jornalista que também o acusa de violência doméstica. O relacionamento em questão ocorreu entre 2014 e 2019, iniciando-se no período da faculdade e agravando-se substancialmente quando o jornalista foi transferido para o Rio de Janeiro. A vítima e as demais testemunhas relatam uma escalada de abusos psicológicos e agressões físicas severas, que incluíam socos, chutes na canela e um forte soco no rosto que quase a fez perder a visão. Como consequência dos anos de abuso e tortura psicológica, a vítima foi diagnosticada com Transtorno Misto Ansioso Depressivo e Transtorno de Estresse Pós-Traumático, tendo inclusive se mudado para o exterior para se afastar em definitivo do agressor. Em maio, Lucas foi procurado pela coluna da Alicia Klein, após ser acusado de violência doméstica por uma terceira mulher e enviou o seguinte posicionamento: "É lamentável e triste ter que me posicionar sobre um relato amplamente falso. Um relato, novamente, feito sob forma de anonimato, onde não gera responsabilização alguma a quem falsamente acusa. No mais, sigo respondendo nos autos da justiça". Em caso de violência, denuncie Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie. Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares. Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos. Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e através da página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.