Nostalgia: Copa de 2026 termina domingo e já deixa saudades

admin
16 Jul, 2026
Bruno Guimarães foi decisivo na classificação sobre o Japão Rafael Ribeiro/CBF Há quem conte a vida pelos aniversários. Outros, pelos empregos, pelos endereços onde moraram ou pelos amores que marcaram. Mas existe uma enorme parcela da humanidade que organiza a própria memória de outra maneira: por Copas do Mundo . " Minha primeira lembrança é a Copa de... " É uma frase comum. E, curiosamente, ela quase nunca fala apenas de futebol. Aquela Copa do passado era a casa da avó. Era o cheiro do churrasco. A rua enfeitada de verde e amarelo, a televisão ligada a tarde inteira, a mãe nervosa, o primo gritando gol sem entender muito de impedimento. Era a primeira vez em que o país todo parecia torcer junto pelo mesmo objetivo. A Copa tem esse privilégio raro. Como acontece apenas de quatro em quatro anos, ela marca capítulos inteiros da nossa existência. Uma edição nos encontra crianças. A seguinte, adolescentes. Depois, adultos começando a carreira. Mais tarde, pais, mães, avós. Entre uma Copa e outra, uma vida inteira pode acontecer. Lembro, por exemplo, quando eu tinha oito anos, da primeira vez que vi adultos chorando de tristeza, quando Maradona foi deixando um por um para trás: Alemão, Dunga e Branco, antes de passar a bola para Caniggia, que marcou o gol da classificação da Argentina em 1990 - e da eliminação da Seleção Brasileira . Esses mesmos adultos derramaram lágrimas de alegria quatro anos depois. No instante em que o italiano Roberto Baggio cobrou o pênalti para fora, ele chutou para longe todos os nossos problemas por alguns minutos de êxtase. E assim, o Brasil de Romário, Bebeto e dos mesmos Dunga e Branco levantou a taça pela quarta vez. Que dia especial foi 17 de julho de 1994, há 32 anos! Por isso, quando alguém diz "na Copa de 94", "na de 2002" ou "na de 2014", normalmente não está falando apenas de futebol. Está dizendo onde morava, quem ainda estava por perto, quem já havia partido, quais eram seus sonhos e quais medos ainda não existiam. As Copas acabam. O troféu muda de mãos. Os craques se aposentam. Mas elas deixam algo que nenhuma estatística consegue registrar: uma coleção de lembranças que atravessam gerações. Talvez seja este o legado mais simbólico do Mundial. Mais até do que revelar o melhor time do planeta. De quatro em quatro anos, a vida nos oferece uma oportunidade rara: perceber o quanto mudamos desde a última vez que o mundo parou para assistir ao mesmo evento. Argentina protagonizou partidas emocionantes na Copa do Mundo Vanessa Carvalho/Parceiro/Agência O Dia 2026: a Copa dos craques e das grandes emoções Daqui a 8, 12, 20, 32 anos ou mais, vamos voltar no tempo e compartilhar com nossos filhos, netos, amigos, as grandes histórias da Copa de 2026: " Lembra como a Espanha não deixou a poderosa França de Mbappé , dar um chute a gol na semifinal? " " Sabia que ninguém imaginava que, prestes a encerrar a carreira, o Messi faria sua melhor Copa beirando os 40 anos? " Para quem gosta de emoção, a Copa de 2026 é a que teve mais viradas na história. Foi também a primeira da carreira de Haaland e a última de Neymar. Cabo Verde quase eliminou a Argentina. E a Alemanha caiu diante do Paraguai. Com 48 seleções , são tantas boas recordações que ficarão na memória... No fim das contas, a Copa nunca termina, de fato. Ela continua vivendo emoldurada nas conversas de família, nas fotografias, nas amizades, nos reencontros e na lembrança de quem nós éramos. Ouro puro em forma de nostalgia. Mas e você, qual foi a primeira Copa da qual você realmente se lembra?