Entrevista de Susana Vieira para Bial prova que novelas perderam relevância

admin
29 Jul, 2026
Entrevista de Susana Vieira para Bial prova que novelas perderam relevância Resumo Na última edição do "Conversa com Bial", Pedro Bial reuniu três atrizes de diferentes gerações para debater a vilania nas novelas. Susana Vieira, Lília Cabral e Isabel Teixeira, que possuem carreiras marcadas por antagonistas malévolas e moralmente dúbias, foram as escolhidas para esse papo. A entrevista girou em torno de personagens que ficaram na memória do público e de produções que ficaram para a história da TV. Com o risco de soar saudosista, a conclusão desse debate é uma só: não se fazem mais novelas como antigamente. Obras com tramas ousadas, capazes de criar catarses coletivas, que desenvolvem tipos muito identificáveis e humanos foram se tornando cada vez mais raras com o tempo. Prova disso são os exemplos de folhetins citados pelas atrizes e pelo jornalista ao longo da conversa. A grande maioria foi ao ar até a década de 2000. A explicação para esse "fenômeno" não é simples. Vários fatores contribuíram para que as novelas já não causem mais o frisson de outras épocas. A democratização da oferta de conteúdo que aconteceu com a expansão da internet pulverizou a atenção dos espectadores, o que fez os canais lineares e as plataformas de streaming apostarem em produções que prendam o público a qualquer custo. Não há mais tanto espaço para histórias elaboradas, que envolvam a audiência aos poucos. Tudo precisa ser muito rápido e essa velocidade impacta a qualidade das produções. O acesso a opinião do público em tempo real através das redes sociais e o medo da rejeição também impactaram a teledramaturgia. Há um receio permanente de desagradar, o que tem afetado diretamente a originalidade e a ousadia das produções. Hoje em dia é inimaginável que a Globo ou qualquer outro player leve ao ar uma novela como "O Casarão" (1976), que se passava simultaneamente em três épocas distintas, "Corpo a Corpo" (1984), cuja trama central girava em torno de uma mulher que fazia um pacto com forças malignas para ascender socialmente, e até a divertida "Vamp" (1991), que tinha vampiros como protagonistas. Quem perde com tudo isso é o espectador, que fica refém de obras rasas e cada vez mais similares. É preciso enfrentar o medo de desagradar o público e apostar na criatividade dos autores sem levar em conta o que é falado na internet ou apontado em pesquisas. Só assim vamos produzir obras que poderão ser debatidas décadas depois de sua primeira exibição. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.