Róger Guedes festeja fase, explica chance de defender seleção do Qatar e revela sondagem do Corinthians para voltar
28 Aug, 2026
O brasileiro Róger Guedes tem vivido grande fase no Al Rayyan, do Qatar. No clube desde 2023, o atacante assinou, em julho, uma renovação até 2030, apesar das especulações para uma possível volta ao Brasil. Em entrevista exclusiva à ESPN, o ex-jogador do Corinthians revelou que teve sondagem para defender o clube alvinegro novamente. O Grêmio, equipe em que jogou na base, também queria a contratação. “Propostas do Brasil sempre chegam, graças a Deus. Sei que é por tudo que faço dentro de campo e fiz no Brasil. Sempre há clubes que vêm atrás. Lógico que agora renovei com o Al Rayyan por quatro anos, e acho que isso pegou todo mundo de surpresa no Brasil, porque eu entraria no meu último ano de contrato", disse. "A equipe que veio mais forte foi o Grêmio. Sempre temos um contato muito bom, assim como com o Corinthians. O presidente [Stábile] também contatou o Paulo [Pitombeira]. Mas nada de apresentar contrato, nada do tipo. Sempre deixei claro que estou feliz aqui, minha família também está, por isso renovei", completou. O bom momento no clube e a estabilidade da família fazem com que o atleta, hoje aos 29 anos, se sinta cada vez mais confortável em solo qatari. Ele, inclusive, tem sido especulado para defender a seleção do país -- o que ainda não é possível por conta do processo de naturalização. “Pelo pouco que eu sei, eles [Confederação do Qatar] têm essa vontade. Se for tudo possível, sempre falam que a lei pode mudar para três anos, que, a partir deste ano, eu já poderia me naturalizar, ou se vão se basear na lei antiga, que seria somente após cinco anos no país e sem defender outra seleção. Mas nunca conversamos, porque existe esse debate se vale a lei nova ou a lei antiga. Se for a antiga, eu teria que esperar mais um tempo. Entretanto, não houve nenhuma negociação, só especulação", contou. A identificação entre o clube e o brasileiro tem sido grande. Em três anos, conquistou a Copa QSL e a Copa do Golfo. Nem mesmo o fato de ainda não ter erguido um título da liga o afastou o status de grande jogador do Al Rayyan. A admiração, aliás, é recíproca. Róger Guedes, que já chegou a dizer que sonhava em jogar no Qatar, explicou por que se identificou tanto com a equipe. "Acho que foi o jeito como fui recebido aqui pelos torcedores. Mesmo com os estádios ainda não sendo tão cheios, eu vim do Corinthians, que lota em todos os jogos, mas acho que foi o carinho deles. O povo catari é muito acolhedor, me sinto em casa desde o primeiro dia. Vim com esse objetivo de jogar e brilhar dentro de campo, ajudando o time com gols e títulos". "A temporada passada foi a melhor da minha vida até aqui. Foram 36 gols e 10 assistências em 40 jogos. Tem campeonatos aqui que acabam não divulgando os dados, como a QSL, que foi nosso primeiro título. Foi muito bom. Pude conquistar o prêmio de melhor jogador da Copa do Golfo, em que fomos campeões, e fui artilheiro da Liga do Qatar por dois anos seguidos. Para este ano, quero conquistar o título da Liga, que é o objetivo desde o primeiro dia. É o maior objetivo do sheik [Sheikh Al-Qaqa bin Hamad Al Thani] desde que ele assumiu. Eu também quero muito bater a marca de artilheiro de novo, o que seria uma marca grande". A experiência no futebol do Qatar também pode fazer o jogador mudar outra vez de posição. A grande quantidade de gols deve, de acordo com ele próprio, o tornar um "camisa 9". "[No Palmeiras] Eu era ponta mesmo, de atacar e defender pelo corredor e fazer o trabalho sujo, vamos dizer assim, para os outros atacantes. Isso mudou no Atlético-MG, com o Thiago Larghi. Ele acabou vendo que eu finalizava muito bem e que, se estivesse perto da área, a chance de fazer gols era muito maior. Acabei sempre jogando mais como ponta esquerda ou segundo atacante. Foi assim na China e depois quando voltei para o Corinthians, com o Sylvinho e outros treinadores", iniciou. "Aqui, no Al Rayyan, já sou mais segundo atacante. Eu me vejo mais como camisa 10, porque busco a bola no pé dos volantes, às vezes até no pé do zagueiro. Então, é um pouco diferente do que eu faria no Brasil. Hoje sou um camisa 10 mais ofensivo. Vejo como principal característica minha esse perfil de segundo atacante, de atacar espaço, mas, se precisar buscar mais a bola, também faço. Digo que hoje jogo mais livre no ataque. Acredito que, daqui para frente, vou ser mais centroavante, até pelo número de gols", explicou, antes de concluir. “Eu nunca gostei de ficar em uma posição só, muito sistemático. Sempre gostei de me movimentar mais e vejo que os treinadores foram entendendo isso". Outros sonhos Róger Guedes revelou, na entrevista à ESPN, que tinha o sonho de jogar na Roma, da Itália, o que, pelo menos até o momento, não aconteceu. O Real Madrid também era um desejo de criança. “Desde a infância, eu sempre gostei da Roma e do Real Madrid. Sempre imaginei jogar em um dos dois times. No Real, por si só, mas pelo Cristiano Ronaldo também. Na Roma, eu gostava muito do Totti. Então, na infância, eu tinha muita vontade mesmo de jogar na Roma, até me tornar jogador profissional. Eu uso a meia baixa até hoje por causa do Totti, também por causa do Verón, o argentino. Mas nunca tive o prazer de encontrar com ele [Totti]", contou. O atacante, aliás, não chegou a atuar em solo europeu. Além do Brasil, onde passou por Criciúma, Palmeiras, Atlético-MG e Corinthians, jogou na China e no Qatar. “De propostas oficiais [da Europa], mesmo, teve a do Porto, na época do Galo, que eu acabei não indo para ir para a China, isso em 2018. Se não me engano, teve do Benfica também, quando eu estava no Corinthians, antes de vir para cá (Al Rayyan). Na época (2018), também tive proposta da Rússia, acho que do CSKA Moscow. Em 2016, tive da Atalanta e, no meio de 2017, também. Houve muitas especulações, mas essas foram as oficiais, em que chegaram propostas aos clubes", revelou. Artur Jorge ou Leonardo Jardim? No período em que está no Al Rayyan, Róger Guedes pôde trabalhar com dois técnicos portugueses que hoje comandam times brasileiros: Leonardo Jardim, do Flamengo, e Artur Jorge, do Cruzeiro. O atacante mostrou carinho pelos dois treinadores. “Eu gostei muito de trabalhar com o Jardim. Foi ele quem me trouxe para cá. Ficamos um ano juntos e, infelizmente, perdemos a Liga e uma Copa aqui no Qatar. Mas foi um trabalho muito bom. Ficamos em segundo na Liga, eu concorri ao prêmio de melhor jogador da competição, foi muito bom no geral", iniciou. "Mas a minha relação com o Artur foi diferente. Sempre falei que considero ele como um ‘papai’ no futebol para mim. Ele me deu total confiança e liberdade no time, e a comissão dele era fantástica. Acho que, por ele já ter trabalhado no Brasil, sabiam como lidar com o jogador brasileiro, como tratar, a parte tática e tudo isso. Ele gosta muito dessa parte tática, principalmente ofensiva, de jogar mais em cima. Eu, como atacante, gostei muito de jogar com ele nesse sentido", acrescentou. “Só tenho que agradecer aos dois. Eles acabaram de se enfrentar na Libertadores: o Jardim saiu vitorioso, mas jogaram novamente e o Artur ganhou. Acho que, em pouco tempo, o Artur Jorge mostrou no Cruzeiro o seu trabalho, tirou o time da zona de rebaixamento e colocou entre os quatro primeiros. O Jardim está em um dos maiores times do Brasil, fazendo um ótimo trabalho também", concluiu.