Nissan Frontier sai de linha no Brasil; substituta será chinesa

admin
29 Aug, 2026
A atual geração da Nissan Frontier chegou ao fim da linha no Brasil. A picape média deixou de fazer parte da gama de veículos novos apresentada pela marca em seu site oficial, encerrando uma trajetória marcada por baixo volume de vendas nos últimos anos. A saída, porém, prepara terreno para uma mudança muito maior: sua substituta será chinesa, híbrida plug-in e completamente diferente do modelo conhecido pelos brasileiros. Trata-se da nova Frontier Pro Híbrida, desenvolvida em parceria com a Dongfeng e já flagrada em testes de homologação no Brasil, alguns publicados aqui no Motor1.com Brasil. A expectativa é que a picape desembarque importada da China e assuma o espaço da Frontier tradicional, inaugurando também uma nova fase de eletrificação para a Nissan no mercado brasileiro. Nissan passa a fabricar Frontier no México Foto de: Nissan Frontier atual perdeu espaço no mercado A saída da Frontier já vinha sendo desenhada há algum tempo. A produção argentina, realizada na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, foi encerrada no fim de 2025 dentro da reestruturação industrial promovida globalmente pela Nissan. A fabricação do modelo foi posteriormente transferida para o México, mas a continuidade desta geração no Brasil sempre esteve cercada de dúvidas. O desempenho comercial ajuda a explicar a mudança. Em 2025, a Frontier registrou apenas 5.091 emplacamentos no Brasil, queda de 45% diante das 9.258 unidades de 2024. Para efeito de comparação, a Toyota Hilux fechou aquele ano com 49.721 unidades, a Ford Ranger com 34.047 e a Chevrolet S10 com 31.451. Ou seja: a Nissan vendeu praticamente uma Frontier para cada dez Hilux emplacadas. A situação ficou ainda mais crítica em 2026, à medida que os estoques remanescentes diminuíram. Em julho, foram apenas 34 unidades, número inferior inclusive às 42 unidades registradas pela BYD Shark no mesmo período. A Frontier que deixa o mercado brasileiro manteve até o fim o conhecido motor 2.3 biturbo diesel de 190 cv e 45,9 kgfm, associado ao câmbio automático de sete marchas e à tração 4x4. Era uma receita tradicional para o segmento, mas que começava a mostrar sinais claros de envelhecimento diante da renovação das concorrentes. Nova Frontier Pro já está no Brasil É justamente aí que entra a Frontier Pro. Como o Motor1.com Brasil revelou em fevereiro, unidades da picape chinesa foram flagradas no Porto de Santos (SP), inclusive com identificação “Frontier Pro” e “plug-in hybrid” na tampa traseira. Os veículos estão no País para testes e processo de homologação. Em abril, a própria Nissan confirmou que a Frontier Pro fará parte da expansão da marca na América Latina. O modelo foi desenvolvido na China e é produzido pela Zhengzhou Nissan Automobile, joint venture entre Nissan e Dongfeng — justamente a gigante chinesa que acaba de anunciar sua operação própria no Brasil, onde venderá automóveis sob a marca DFM. Apesar do nome, a Frontier Pro não é uma evolução da picape que acaba de sair de cena. O projeto deriva da Dongfeng Z9 e representa praticamente um recomeço para a Nissan na categoria. Nova Nissan Frontier híbrida plug-in é flagrada no Porto de Santos (SP) Foto de: @janacletos Mais de 400 cv e até 135 km sem gasolina A principal novidade estará debaixo do capô. A Frontier Pro PHEV combina motor 1.5 turbo a gasolina com propulsão elétrica e bateria recarregável externamente. O conjunto supera 400 cv de potência e chega a aproximadamente 81,6 kgfm de torque. A bateria permite rodar até 135 km usando apenas eletricidade, de acordo com o otimista ciclo chinês. A picape também cresce. São cerca de 5,5 metros de comprimento, 1,96 m de largura e 1,95 m de altura, além de generosos 3,30 metros de entre-eixos. A suspensão dianteira é independente por braços duplos, enquanto a traseira utiliza molas helicoidais. Há bloqueio eletromecânico do diferencial traseiro e diferentes configurações para uso fora de estrada. Por dentro, a transformação é igualmente radical. O painel adota quadro de instrumentos digital de 10 polegadas e central multimídia de 14,6”, além de recursos como bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e massagem, a depender da configuração. A picape ainda pode oferecer sistema V2L capaz de fornecer até 6 kW para alimentar equipamentos externos. Nova Nissan Frontier híbrida plug-in é flagrada no Porto de Santos (SP) Foto de: @janacletos Picapes médias vão virar híbridas? A mudança da Frontier acontece justamente quando o segmento de picapes médias começa a experimentar uma transformação semelhante à vivida pelos SUVs nos últimos anos. A BYD Shark foi a primeira a apostar de forma mais contundente na combinação de motor turbo, propulsão elétrica, bateria de grande capacidade e tração integral no Brasil. Com desempenho comercial ainda bastante discreto, a Shark não conseguiu até agora ameaçar as tradicionais picapes turbodiesel. Mesmo assim, a fórmula começa a ganhar seguidores. A próxima Volkswagen Amarok seguirá caminho semelhante. A nova geração será baseada em um projeto da chinesa SAIC e também terá eletrificação entre suas principais armas. Assim, duas marcas tradicionais entre as picapes médias recorrerão justamente à indústria chinesa para acelerar a renovação de seus produtos. É uma mudança importante de paradigma. Durante décadas, a receita praticamente obrigatória neste segmento combinou chassi, motor turbodiesel, câmbio automático e sistema 4x4 com reduzida. Agora, começam a aparecer modelos capazes de entregar desempenho muito superior, uso cotidiano em modo 100% elétrico, cabines mais tecnológicas e autonomia total competitiva sem abandonar a proposta de enfrentar terrenos difíceis. Frontier Pro - Interior minimalista à moda chinesa Foto de: Divulgação Frontier Pro terá uma missão complicada Para a Nissan, porém, trocar apenas a tecnologia não será suficiente. A Frontier encerra sua atual passagem pelo Brasil bastante distante das líderes e depois de perder praticamente metade de suas vendas em apenas um ano. A nova geração terá de recuperar uma relevância que o modelo deixou escapar ao longo dos últimos anos. Por outro lado, a Frontier Pro chegará quando o mercado começa a mudar. Em vez de simplesmente tentar alcançar Hilux, Ranger e S10 repetindo a mesma receita diesel das concorrentes, a Nissan aposta em uma ruptura: uma picape chinesa, eletrificada, muito mais potente e tecnológica. Se isso será suficiente para fazer a nova Frontier vender mais do que sua antecessora, só o mercado responderá. Mas uma coisa já está clara: a Frontier que conhecemos está indo embora no momento em que a própria definição de picape média começa a mudar. Veja também Enquanto some no Brasil, Nissan Frontier vira vice-líder no México Primeira volta: dirigimos a BYD Mako, picape híbrida que mira a Fiat Toro Como é a nova VW Tukan ao vivo: maior que Saveiro e pronta para encarar Strada Depois de Tukan e Mako, Fiat Toro terá uma enxurrada de rivais híbridas