Por que Pix Agendado e Pix Crédito ainda são pouco utilizados?

admin
30 Aug, 2026
O Pix transformou a forma como os brasileiros realizam pagamentos e transferências e se consolidou rapidamente como um dos principais meios de pagamento do País. No entanto, apesar da expansão da ferramenta e do surgimento de novas funcionalidades, a maior parte dos usuários ainda concentra seu uso nas operações imediatas. Dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 mostram que os brasileiros continuam priorizando a modalidade instantânea, enquanto alternativas criadas para ampliar as possibilidades da ferramenta ainda apresentam participação reduzida. De acordo com o levantamento, 80% das movimentações realizadas por pessoas físicas utilizam o Pix instantâneo. Os outros 20% estão relacionados a mecanismos que envolvem algum tipo de programação prévia. O cenário evidencia que, mesmo com a rápida digitalização dos serviços financeiros e a popularização dos pagamentos digitais, os hábitos dos brasileiros permanecem fortemente ligados às funcionalidades mais conhecidas. A importância do Pix na economia também pode ser observada no volume financeiro movimentado. Segundo dados do Banco Central, somente em junho de 2026, a ferramenta movimentou R$ 3,599 trilhões. Apesar da força do sistema, modalidades mais recentes ainda têm espaço limitado: o Pix Cobrança representa 19% das operações, enquanto o Pix Agendado responde por 0,3% e o Pix Crédito, por apenas 0,2%. “O crescimento do Pix é consequência natural da transformação digital vivida pela sociedade. A forma de consumir mudou e fatores como rapidez, segurança e praticidade passaram a ser indispensáveis para consumidores cada vez mais conectados. O Pix instantâneo atende exatamente a essa necessidade, por isso se consolidou tão rapidamente”, afirma o especialista em meios de pagamento Marlon Tseng. Na avaliação do especialista, a baixa adesão às novas funcionalidades não está necessariamente relacionada à tecnologia disponível, mas principalmente ao comportamento dos consumidores. Recursos tradicionais, como débito automático, cartão de crédito e boletos recorrentes, já fazem parte da rotina financeira dos brasileiros há muitos anos. Por isso, a migração para novos formatos tende a ocorrer de maneira gradual. “Quando uma solução já está incorporada ao hábito das pessoas, a adoção de uma nova alternativa leva tempo, mesmo que ela seja mais eficiente. O consumidor precisa perceber vantagens claras no dia a dia para mudar seu comportamento”, explica. Para as empresas, especialmente dos setores de varejo e comércio eletrônico, a ampliação do uso dessas ferramentas pode representar uma oportunidade para modernizar os processos de cobrança e pagamento. Recursos como Pix Cobrança e Pix Agendado podem facilitar pagamentos recorrentes, reduzir custos operacionais e diminuir a dependência de outros meios de pagamento. Principais dados sobre o Pix entre os brasileiros 80% das transações de pessoas físicas utilizam o Pix instantâneo; o Pix Cobrança representa 19% das operações; o Pix Agendado responde por apenas 0,3%; o Pix Crédito participa com cerca de 0,2%; em junho de 2026, o Pix movimentou R$ 3,599 trilhões; empresas podem utilizar novas funcionalidades para simplificar cobranças e pagamentos recorrentes. Segundo Tseng, o avanço dessas modalidades dependerá da capacidade das empresas de oferecer experiências simples, intuitivas e seguras. À medida que consumidores e negócios conhecem melhor os benefícios de cada recurso, a tendência é que novas formas de utilizar o Pix ganhem espaço no cotidiano. “A evolução do Pix não termina no pagamento instantâneo. À medida que consumidores e empresas conhecem melhor os benefícios das novas modalidades, a tendência é que elas ganhem espaço de forma semelhante ao que ocorreu com o próprio Pix desde seu lançamento. Quanto mais integrada e simples for a experiência de pagamento, maior será sua adoção”, conclui o executivo. Colaborador