Transistores vivos são criados com bactérias interconectadas

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31 Aug, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 31/08/2026 Transístor bacteriano Já foram feitas inúmeras demonstrações de componentes eletrônicos biológicos e até de células vivas sendo controladas eletronicamente, mas bactérias que funcionam diretamente como transistores prometem fazer a diferença. Já faz mais de uma década que a equipe do professor Christopher Voigt, do MIT, incorporou lógica às bactérias, permitindo que elas sejam programadas como computadores. Isso permitiu construir circuitos bio-lógicos, e a equipe até desenvolveu uma linguagem de alto nível para programar as bactérias. O avanço feito agora é mais prático, no sentido de viabilizar aplicações dessa computação bacteriana, envolvendo a criação de placas de circuito que podem ser impressas em um meio de cultura em uma placa de Petri. Enquanto nos circuitos eletrônicos tradicionais os transistores funcionam como interruptores que podem ligar ou desligar a corrente, nos novos circuitos biológicos são interruptores bacterianos, bactérias individuais funcionando como transistores, que controlam o fluxo de pequenas moléculas, que por sua vez enviam sinais para os componentes subsequentes do circuito. Circuito bacteriano Os pesquisadores projetaram dois transistores bacterianos diferentes, juntamente com três cepas bacterianas que transmitem informações entre os biotransistores, compondo todos os blocos de construção necessários para projetar praticamente qualquer circuito genérico. "Construímos alguns componentes iniciais de arquitetura de computador que são comumente usados, mas qualquer operação pode ser construída com essas cinco variantes," disse o pesquisador Hamid Doosthosseini. As demonstrações envolveram circuitos que podem somar duas ou três entradas, ou enviar uma entrada para um local específico no circuito. Embora não representem um competidor para os processadores eletrônicos, esses circuitos biológicos poderão um dia revestir folhas ou raízes de plantas, onde serão capazes de computar informações, permitindo, por exemplo, que as plantas detectem e respondam a condições ambientais, como seca ou ataque de pragas. "Nós não estamos tentando substituir os computadores, mas sim inserir o controle computacional na biologia. Se você tiver bactérias na raiz de uma planta, ou se a própria planta estiver realizando os cálculos, executar uma computação simples durante a noite é rápido o bastante, em comparação com uma estação de crescimento," disse o professor Voigt. Bactéria-transístor Para criar os transistores bacterianos, os pesquisadores escolheram uma bactéria chamada Pantoea agglomerans, que cresce naturalmente nas plantas sem lhes causar danos. Usando essas células, eles produziram dois tipos de transistores que podem ser ligados ou desligados por uma molécula chamada OC-6 - um dos biotransistores é ligado por esse sinal de entrada, enquanto o outro é desligado. Cada biotransístor também detecta a presença de uma molécula alvo, neste caso uma chamada OC-12. Dependendo da presença dessa molécula e da ativação do interruptor, os transistores produzem uma molécula de saída conhecida como OHC-14. Três outras cepas de Pantoea agglomerans foram usadas para criar relés, que traduzem o sinal OHC-14 em uma saída que pode ser enviada para outro biotransístor. Usando essas cepas de relé, torna-se possível "conectar" os transistores bacterianos, como em uma placa de circuito eletrônico. Por exemplo, uma chave bidirecional é criada com dois transistores, que detectam a OC-12 e enviam essa informação para diferentes conjuntos de relés com base na entrada da chave, alimentando a seguir outros transistores, que processam ainda mais o sinal. Em um possível uso futuro na agricultura, esse tipo de circuito biológico poderia ser aplicado às raízes das plantas para detectar diferentes tipos de estresse: Uma vez detectado um determinado estímulo, ele desencadearia uma resposta, como a síntese de um fungicida.