Arquidiocese do Rio cria pastoral para missionários digitais

admin
2 Sep, 2026
Rio - A Arquidiocese São Sebastião do Rio de Janeiro instituiu uma nova pastoral para acolher, acompanhar e integrar pessoas que utilizam as redes sociais e plataformas on-line para falar explicitamente sobre fé, doutrina, catequese e vida relacionada à Igreja católica. A iniciativa, decretada pelo cardeal Orani João Tempesta, consolida o Rio entre as pioneiras no mundo na busca por uma estrutura especificamente dedicada a influenciadores e missionários digitais. LEIA MAIS! Papa visitará América do Sul em novembro, mas Brasil fica de fora A Pastoral dos Missionários Digitais (Pamidi) foi inserida na estrutura da arquidiocese fluminense e atuará com apoio de outros setores, como a Pastoral da Comunicação (Pascom) e Conselho Missionário Diocesano (Comidi). O documento pede que aqueles que atuam como missionários digitais recebam reconhecimento, formação e acompanhamento por parte das Igrejas locais. O diácono Alexandre Varela, que iniciou e acompanha o processo de implantação da Pamidi, desenvolve, ao lado da esposa, Viviane Varela, o projeto "O Catequista", uma das iniciativas pioneiras de evangelização católica nas redes sociais no Brasil. O canal no YouTube nasceu há 15 anos com a proposta de oferecer formação católica e utilizar uma linguagem adequada às novas plataformas, sem substituir a experiência comunitária e sacramental. "Eu sou missionário digital há 15 anos. Eu fui o primeiro do Brasil. Quando começamos, junto com a minha esposa Viviane, ninguém fazia isso. O máximo que você tinha eram sites com conteúdo católico", recorda Alexandre. Segundo o diácono, há cerca de três anos ele recebeu um pedido para colaborar na identificação e aproximação de outros missionários digitais. Para Varela, a internet não deve ser compreendida apenas como ferramenta para transmitir mensagens religiosas. "Nós estamos entendendo, ajudando a Igreja a entender como lidar com o mundo digital. Veja, não é lidar com a internet, porque a internet é um meio de comunicação. Mas é entender como lidar com o mundo digital. Esse mundo que foi criado dentro da internet, que existe, onde as pessoas têm presença, onde as pessoas se expressam", afirma. O primeiro movimento para reunir esses evangelizadores na Arquidiocese do Rio ocorreu no final de 2024, com o ArqRio Digital. Cerca de 80 pessoas participaram do encontro inicial. Na ocasião, os participantes também estiveram com Dom Orani na Catedral Metropolitana, onde receberam sua bênção. A Arquidiocese do Rio foi a primeira experiência voltada exclusivamente aos missionários digitais com objetivo de iniciar seu processo de organização, embora a Arquidiocese de Monterrey, no México, tenha percorrido um caminho mais rápido até sua formalização."Nosso trabalho foi o primeiro que começou no mundo inteiro. Nós fomos a primeira iniciativa pastoral para missionários digitais no mundo. Só que o México teve um caminho mais curto e eles criaram a pastoral mais rapidamente. Nós, primeiro, tivemos um tempo de escuta para depois criar a pastoral", explica. A Pamidi tem três pilares para sua atuação. O primeiro é acompanhar a pessoa que está por trás do perfil, independente de números de seguidores, alcance, engajamento ou desempenho. "O primeiro pilar é o pastoreio. Então, o primeiro pilar não é olhar para o perfil da internet dessa pessoa. É olhar para a pessoa. Então, quem é que está por trás dos perfis", explica Varela. O segundo pilar é o apoio institucional. A intenção é aproximar os missionários digitais das fontes oficiais da Igreja, criando canais de comunicação para informações seguras sobre questões doutrinais, pastorais e institucionais. O diácono destaca que a Arquidiocese pode fornecer referências confiáveis para fundamentar o conteúdo dos influenciadores, combatendo desinformação e notícias falsas relacionadas à Igreja. "A ideia é dar apoio institucional para que esses perfis possam beber de fontes seguras", explica. "É importante que a Arquidiocese do Rio de Janeiro crie mecanismos, crie maneiras dessas pessoas poderem consultar uma base de informações seguras para elas entenderem o que de fato aconteceu, qual é a verdade, o que a Igreja fala sobre o tema." O terceiro pilar volta o olhar para dentro da própria instituição. A proposta é ajudar os religiosos a compreenderem melhor quem são os missionários digitais e influenciadores católicos, além da forma como podem colaborar com a evangelização."O terceiro pilar é conscientizar a Igreja, o clero e os fiéis de que os influenciadores católicos têm seu lugar, têm seu trabalho e são importantes", conclui Varela.