Vacinas: soberania se constrói antes da próxima crise

admin
2 Sep, 2026
CCTVACIN - Subcomissão Permanente do Acompanhamento do Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Vacinas de Interesse Nacional. senador Esperidião Amin (PP-SC); presidente da CCTVACIN, senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP). Saulo Cruz/Agência Senado A pandemia deixou muitas lições para o Brasil. Talvez uma das mais importantes seja esta: não podemos esperar uma nova emergência para começar a nos preparar. Essa é uma convicção que carrego comigo há muitos anos. Trabalhei durante três décadas com investigação, prevenção de acidentes e gerenciamento de riscos, e aprendi que a melhor forma de enfrentar uma crise é trabalhar antes que ela aconteça. No caso da saúde pública, isso significa investir continuamente em ciência, tecnologia, infraestrutura e, principalmente, nas pessoas que fazem ciência no Brasil. Foi com esse propósito que instalamos, hoje (02/09/26), na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado, a Subcomissão Permanente para Acompanhamento do Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Vacinas de Interesse Nacional. Queremos criar no Congresso Nacional um espaço permanente para acompanhar pesquisas, projetos estratégicos, financiamento, infraestrutura e produção de vacinas, aproximando pesquisadores, universidades, empresas, órgãos públicos e agências de fomento. Desenvolver uma vacina é um processo longo e complexo. Ele começa na pesquisa básica, passa por universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação, depende de financiamento contínuo, acompanhamento regulatório, testes pré-clínicos e clínicos e precisa estar conectado à indústria para que aquilo que funciona no laboratório possa ser produzido em escala. O Brasil já possui conhecimento, pesquisadores e estruturas capazes de nos colocar em posição de destaque mundial. Durante minha gestão no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, no governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), criamos o Centro Nacional de Desenvolvimento de Tecnologias de Vacinas e avançamos em uma infraestrutura estratégica que hoje inclui projetos como o Orion, laboratório de biossegurança máxima conectado ao Sirius. Na pandemia, por meio da Rede Vírus MCTI, reunimos especialistas brasileiros antes mesmo da declaração oficial da pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Também financiamos 17 projetos experimentais de vacinas. Alguns terão sucesso, outros talvez não. Ciência funciona assim: mesmo quando determinado projeto não chega ao produto final, conhecimento e capacidade científica são construídos. Temos Butantan, Fiocruz, universidades, ICTs, o Sirius, o Orion e centros de pesquisa espalhados pelo país. Temos cientistas extremamente capacitados. O que precisamos é fazer com que toda essa estrutura trabalhe de forma coordenada e tenha continuidade. E aqui está um dos principais papéis da nova subcomissão: acompanhar para que os projetos não parem no meio do caminho. Ciência não se faz com “voo de galinha”. Não podemos investir apenas quando surge uma emergência e esquecer a ciência quando a crise passa. Projetos científicos exigem planejamento, previsibilidade e financiamento contínuo. A subcomissão deverá acompanhar a execução dos recursos, identificar obstáculos científicos, tecnológicos, regulatórios e produtivos e ajudar na construção de soluções. Existe também uma questão estratégica. Durante a pandemia, vimos como a dependência tecnológica de outros países pode deixar uma nação vulnerável. Ter capacidade própria para pesquisar, desenvolver e produzir vacinas é uma questão de soberania científica, tecnológica e sanitária. Mais do que isso: o Brasil tem condições de se transformar em um grande polo de desenvolvimento de vacinas para o hemisfério sul, gerando conhecimento, empregos, inovação e oportunidades econômicas, além de ampliar nossa capacidade de proteger vidas. Não sabemos quando acontecerá uma nova pandemia nem qual será o agente responsável por ela. Mas sabemos que novas ameaças sanitárias surgirão. Por isso, nossa obrigação é preparar o país agora, enquanto temos tempo para planejar. Como presidente dessa subcomissão, quero trabalhar para que ela produza resultados concretos. Não gosto de estruturas que existem apenas no papel. Precisamos fazer funcionar. E essa subcomissão vai funcionar. Investir em vacinas é investir em ciência, desenvolvimento, soberania e, acima de tudo, na proteção da vida dos brasileiros.