Fiat paralisa produção do 500 com motor de Mobi (de novo)
4 Sep, 2026
Quando lançou a atual geração do 500, a Fiat avisou que apostaria só em uma motorização elétrica, focando o subcompacto no crescente segmento de modelos de entrada elétricos da virada dessa década. O problema é que, em pouquíssimo tempo, a concorrência chinesa veio e acabou tirando muito da competitividade do pequeno hatch italiano. Com preço elevado e uma bateria relativamente pequena diante dos novos rivais, o 500e não alcançou o volume esperado e levou a fábrica de Mirafiori, na Itália, a uma sequência de paralisações por falta de pedidos. A saída encontrada pela Fiat foi adaptar às pressas o projeto originalmente elétrico para receber também uma motorização híbrida leve, capaz de baixar o preço e ampliar consideravelmente o público do modelo. A estratégia parece ter melhorado a situação, mas criou agora outro problema, e bem curioso: a linha do 500 voltará a parar nos dias 2, 3 e 4 de setembro e, segundo o grupo Stellantis, desta vez não faltam clientes, mas sim componentes para produzir unidades suficientes do novo 500 Hybrid. Sindicatos italianos, porém, contestam a justificativa e dizem que a demanda continua abaixo do esperado. Foto de: Fiat Solução da marca foi usar motor de Mobi Para recuperar parte do público perdido pelo elétrico, a Fiat fez um movimento que sequer estava previsto quando esta geração do 500 foi desenvolvida e adaptou sua plataforma para receber novamente um motor a combustão. A escolha recaiu justamente sobre uma mecânica bastante conhecida dos brasileiros, o 1.0 Firefly aspirado de três cilindros usado em modelos como Mobi, Argo, Cronos, C3, Basalt e 208. A solução também ampliou o uso da eletrificação leve dentro do grupo Stellantis. Até então, o sistema híbrido leve era aplicado principalmente ao 1.0 T200, mas no 500 a marca decidiu combiná-lo ao Firefly aspirado com uma arquitetura de 12 volts. Na Europa, o conjunto trabalha sempre com gasolina e câmbio manual de seis marchas, mantendo uma proposta bastante mais simples que a de um híbrido pleno. Para equipar o 500, motor do Mobi ganhou sistema híbrido leve do Pulse Foto de: Motor1 Brasil O 500 Hybrid começou a ser produzido no fim de 2025 justamente para oferecer uma alternativa mais barata ao 500e, sem depender de recarga e com uma mecânica muito mais convencional para o consumidor europeu. A estratégia até ajudou a devolver volume à fábrica de Mirafiori, mas trouxe de volta também uma cadeia de componentes de motor a combustão que não fazia parte do projeto original desta geração, justamente o que criou o novo gargalo na produção, segundo informações do portal espanhol diariomotor.com. Foto de: Fiat Agora faltam peças para fabricar o híbrido Poucos meses depois de o Hybrid começar a devolver algum fôlego ao 500, Mirafiori teve a produção interrompida entre os dias 2 e 4 de setembro. Segundo o grupo Stellantis, desta vez o problema não está na falta de interessados pelo carro, mas na dificuldade de conseguir componentes suficientes para acompanhar a procura pela nova versão. O gargalo estaria na Teksid, empresa controlada pelo próprio conglomerado e responsável pela fabricação de componentes de motores em Carmagnola, também na região de Turim. O grupo não revelou qual peça está em falta, portanto não dá para falar em escassez dos motores completos, mas de componentes necessários para que eles sejam produzidos e enviados posteriormente a Mirafiori. Foto de: Fiat A situação ganha um ingrediente curioso justamente porque a dificuldade está dentro da própria estrutura industrial do grupo Stellantis. Também não é a primeira vez que isso acontece neste ano, já que a montagem do 500 foi interrompida nos dias 6 e 7 de julho e enfrentou outros problemas de abastecimento envolvendo componentes mecânicos, para-choques e sensores durante o verão europeu. Mas o 500 está vendendo tanto assim? Não é o que dizem os sindicatos locais. Segundo dados do FIM-CISL, Mirafiori produziu 36.048 unidades do 500 no primeiro semestre de 2026, somando Hybrid e elétrico, alta de 135,4% sobre as 15.315 do mesmo período de 2025. O avanço é grande, mas ainda fica abaixo do ritmo necessário para alcançar as 100 mil unidades anuais projetadas pela Fiat, enquanto o próprio sindicato estima algo próximo de 80 mil carros no fechamento do ano. Foto de: Fiat Os números disponíveis não separam quanto dessa produção corresponde ao Hybrid, portanto não permitem descartar que a nova versão esteja realmente exigindo mais de determinados fornecedores. Ao mesmo tempo, também não comprovam a ideia de uma demanda excepcionalmente alta, deixando aberta a discussão sobre o verdadeiro motivo das paralisações. Por aqui, vale lembrar, a marca tecnicamente também oferece o 500 atual, mas ele também sofre com falta de demanda. No site oficial da Fiat, o modelo aparece na versão Icon, somente elétrica, ainda com ano/modelo 2022 e preço de R$ 214.990. Não há informações se a italiana planeja importar novos lotes ao país, visto que ele não aparece em eventos ou nos planos anunciados pela marca já há algum tempo. Leia mais Fiat Argo chega a 700 mil vendidos antes da estreia do Argo X Pulse Abarth Scorpionissima aparece em Interlagos antes da nova geração Depois de Tukan e Mako, Fiat Toro terá uma enxurrada de rivais híbridas Fiat Fastback 2027 ganha duas versões, perde uma e fica mais fraco