Enérgica, The Hives ganha público com humor auto-celebratório no Rock in Rio

admin
4 Sep, 2026
O The Hives levou seu show de rock e humor ao Rock in Rio na noite desta sexta-feira (4). A banda sueca foi uma das atrações do palco Mundo, o maior do festival, que acontece até o dia 13 no Rio de Janeiro. Conhecida pela energia de suas performances ao vivo, o grupo fez seu primeiro show no Rock in Rio. No Brasil, eles já se apresentaram no Lollapalooza e abriram para bandas maiores, como o Arctic Monkeys e My Chemical Romance —este último, em fevereiro, em São Paulo. O público para ver o quinteto era grande, mas estava espalhado pelo Parque Olímpico, que abriga o Rock in Rio. Praticamente não houve aperto, e era fácil chegar nas proximidades do palco. Nos primeiros momentos do show, a plateia não estava acesa como a banda —e nem precisou. Com um humor auto-celebratório, o vocalista Pelle Almqvist tratou de não deixar a energia cair, cutucando a plateia, descendo até o público, bebendo cerveja e se comunicando em português. "Ótimo festival, ótimo público e ótima banda", ele repetiu diversas vezes ao longo da apresentação. Quando não sentia que a resposta do público tinha a intensidade que queria, gritava insistentemente "mais barulho!", "mais guitarra!" e pedia palmas, mãos ao alto e gritos, entre outros incentivos. Antes de puxar seu maior sucesso, "Hate to Say I Told You So", apresentou a música de maneira superlativa. "É um grande, grande hit! Vocês gostam? Gostoso? Grande?", ele disse, arrancando risadas, como se estivesse deslumbrado com as palavras em português. Dali em diante, a parte mais interessada da plateia veio junto, pulou e chegou a ensaiar um coro exaltando os suecos. Pelo menos neste Rock in Rio, o The Hives não reuniu muitos fãs, gente familiarizada com sua obra e disposta a cantar junto, mas pareceu ter conquistado quem não conhecia a banda. Almqvist ainda brincou com o Foo Fighters, principal atração do primeiro dia da edição deste ano do Rock in Rio. Dizia o nome do grupo americano fazendo um gesto com as mãos para que os fãs gritassem baixinho, e fazia o gesto contrário quando dizia o nome do Hives. Criada nos anos 1990 e tendo vivido seu auge na década seguinte, o Hives concentrou seu repertório nos discos mais recentes —"The Hives Forever Forever The Hives", do ano passado, e "The Death of Randy Fitzsimmons", de 2023. De seu álbum mais famoso, "Veni Vidi Vicious", de 2000, tocou o hit "Hate to Say I Told You So" e "Main Offender". Ainda houve espaço para outras músicas do repertório clássico. Foram elas "Come On!", de "Lex Hives!", de 2012, "Tick Tick Boom", de "The Black and White Album", 2007, e "Walk Idiot Walk", de "Tyrannosaurus Hives", de 2004. Esteticamente, não fez tanta diferença. Seja agora ou há 30 anos, o Hives faz o mesmo garage rock direto, sem rodeios e cheio de energia, com pegada punk e vocais que às vezes lembram Iggy Pop quando comandava os Stooges. É como se o Hives confiasse tanto na sua capacidade de entreter o público que isso fosse mais importante do que tocar as músicas mais conhecidas. No Rock in Rio, deu certo, e o show foi esquentando à medida que os minutos foram passando. O palco não teve grandes atrativos visuais, com exceção de um letreiro com o nome do grupo em balões. Os clássicos smokings que o quinteto usa nas apresentações ganharam ornamentos iluminados. Almqvist ainda brincou que, se a plateia não estivesse animada o suficiente, não veria o Foo Fighters. Também botou o público para sentar e pular em "Tick Tick Boom" e tirou onda ao apresentar os integrantes da banda. Tudo fez ainda mais sentido ao som de "Nobody Does It Better", que encerrou o show, tocada mecanicamente enquanto os músicos se despediam dos brasileiros. Cantada por Carly Simon e trilha do filme "007 - O Espião Que Me Amava", de 1977, a balada deu o recado, convencido de que o Hives reforçou no Rock in Rio —ninguém faz isso melhor. Pouco importa se é verdade.