Produção nacional de veículos atinge maior nível em sete anos
8 Sep, 2026
Produção nacional de veículos atinge maior nível em sete anos Número atingiu 271,2 mil modelos em agosto; pré-prontos que vêm do exterior justificam crescimento A produção nacional de 271,2 mil veículos em agosto representa o maior volume em um mês desde outubro de 2019. O número indica alta de 6,8% sobre julho e de 9,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. O acumulado do ano chega perto de 1,9 milhão de unidades, 8,5% a mais que nos primeiros oito meses do ano passado. Desse total, dois terços do crescimento provêm de modelos SKD (semidesmontados) e CKD (desmontados). Os dados foram divulgados ontem pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Desde janeiro, o Brasil já importou 406,7 mil automóveis, 29,8% a mais do que nos primeiros oito meses de 2025. Mais da metade veio da China (221 mil unidades ou 54,34% do total). A participação chinesa teve aumento de 109,9% em relação ao ano anterior. As exportações no mês passado somaram 39,8 mil, leve acréscimo de 2,2% em relação a julho e recuo de 31,7% em um ano. De janeiro a agosto, os números tiveram queda de 22,9%, principalmente por causa da relação comercial com a Argentina. “Grande parte em função de recuo de 36,6% dos envios à Argentina. Uruguai e Chile, que recebem cada vez mais remessas da China, também contribuem com o cenário de retração”, informou a entidade. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o resultado da produção em agosto reflete o aquecimento do mercado interno, mesmo com os recuos nas exportações. “Contudo, vale ressaltar que dois terços das quase 150 mil unidades produzidas a mais neste ano são compostos por modelos em SKD e CKD, e apenas um terço por modelos com produção plena no País”, declarou. “O mercado argentino está retraído e hoje 95% das quedas das nossas exportações tem como mercado a Argentina. Estamos perdendo participação de maneira muito rápida”, alertou. Os emplacamentos registraram média diária de 13,1 mil unidades - segunda melhor do ano, atrás apenas de maio, com 13,7 mil por dia. Nesse tópico, a participação de eletrificados subiu de 11,8% em agosto de 2025 para 24,4% agora. No ano já são 372 mil unidades registradas entre elétricos e híbridos, 125,8% a mais que no período de janeiro a agosto de 2025. Modelos feitos no Brasil representam 39% desse montante, a maior parte feita com peças que vêm do exterior desmontadas ou semidesmontadas. O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC, Aroaldo Silva, diretor administrativo e financeiro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ressaltou a importância de políticas para o fortalecimento do setor automotivo, como Move Brasil e Nova Indústria Brasil. Para ele, a chegada de novas empresas e investimentos é bem-vinda, mas é necessário garantir que isso se traduza em produção local, geração de empregos de qualidade e adensamento das cadeias produtivas nos territórios. “O crescimento das importações, especialmente de veículos chineses, e o avanço de modelos montados em CKD e SKD mostram que esse debate precisa ser feito com atenção. Para uma região industrial como o Grande ABC, não basta ampliar o volume de veículos no mercado.” De acordo com ele, é fundamental que a competição estimule investimentos e inovação regionais. “Defendemos uma política que estimule a fabricação no Brasil, sem ampliar as cotas de importação que possam desestimular a nacionalização da produção.” LEIA TAMBÉM: