Mesmo com motor de T-Cross, Tera ainda não é o 1.0 turbo mais potente da categoria

admin
9 Sep, 2026
Quem der uma olhada na potência da maioria dos novos carros de entrada vendidos hoje no mercado provavelmente verá algo em comum: muitos tiveram sua potência reduzida ou limitada a 115 ou 116 cv. A mudança tem motivo e é tributária, ficando no limite para que não passem a pagar ainda mais impostos dentro do IPI Verde. Dessa leva, todos os carros do grupo Stellantis com o conhecido propulsor 1.0 T200 - seja ele eletrificado ou não - já estão ou ficarão limitados em 116 cv. Antes entre os mais potentes, na casa dos 130 cv, coube ao Jeep Avenger, lançado em meados de agosto, estrear a mudança entre os carros equipados com esse motor. Foto de: Diogo de Oliveira Foto de: Motor1 Brasil Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com A Hyundai também já havia reduzido a potência de HB20 e Creta, e o novato i20 chegou posteriormente seguindo a mesma calibração. A Chevrolet seguiu o mesmo caminho, deixando seus motores 1.0 turbo na mesma faixa de potência tanto no CSS Prime com injeção direta de Sonic e Tracker quanto no conjunto de injeção indireta da família Onix. Nem todo mundo mudou Entre as exceções, há a Renault e Volkswagen. A francesa resolveu mudar seu SUV de entrada, o Kardian, apenas no conteúdo para fazer frente ao Avenger, lançando uma nova versão de entrada chamada Vibe. Ela manteve o motor 1.0 TCe de todas as outras versões, capaz de gerar 120 cv com gasolina e 125 cv com etanol, além de chegar a 22,4 kgfm de torque. Já a Volkswagen foi ainda mais longe e fez o caminho contrário com o Tera. Lançado com o 170 TSI de 109/116 cv e 16,8 kgfm do Polo e dos Virtus de entrada, o SUV passará a receber em sua linha 2027 o 200 TSI, passando para 116/128 cv e 20,4 kgfm. Além disso, receberá o câmbio automático de 8 marchas em substituição ao atual, que tem 6 velocidades. O ganho, que chegará só às versões Comfort e High, chega a 12 cv com etanol e 3,6 kgfm de torque. A mudança vem acompanhada ainda da troca do câmbio automático de seis marchas por uma nova transmissão de oito, conjunto herdado do T-Cross 2027. Foto de: Divulgação Foto de: Motor1 Brasil E qual virou o 1.0 turbo mais potente? Hoje, antes de o novo conjunto do Tera chegar às concessionárias, o Kardian ainda ocupa a ponta entre os SUVs de entrada com motor 1.0 turbo. São 120 cv com gasolina e 125 cv com etanol, números superiores aos 115 ou 116 cv adotados por Avenger, Pulse, Basalt e Sonic. A situação mudará a partir de outubro, quando o Volkswagen passa a entregar até 128 cv com etanol, embora com gasolina fique nos mesmos 116 cv de boa parte dos rivais. Com isso, quando usado o derivado de cana, ele fica mais potente que seus rivais diretos. Modelo Potência gasolina Potência etanol Torque gasolina Torque etanol VW Tera 200 TSI 2027 116 cv 128 cv 20,4 kgfm 20,4 kgfm Renault Kardian 1.0 TCe 120 cv 125 cv 20,4 kgfm 22,4 kgfm Jeep Avenger T200 116 cv 116 cv 20,4 kgfm 20,4 kgfm Fiat Pulse T200 Hybrid 116 cv 116 cv 20,0 kgfm 20,0 kgfm Citroën Basalt T200 115 cv 115 cv 20,4 kgfm 20,4 kgfm Chevrolet Sonic 1.0 Turbo 115 cv 115 cv 18,3 kgfm 18,9 kgfm A nova potência, no entanto, o colocará na briga entre os mais fortes, ainda que não vá se tornar o mais potente em todas as situações. O Kardian ainda continua a levar vantagem na potência com gasolina e no torque com etanol, enquanto o Tera passa a ostentar o maior pico de potência quando abastecido com o derivado da cana. Nada, é claro, que crie um abismo entre os dois. Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com Por que quase todos pararam em 116 cv? Pelas regras atuais do IPI Verde, a potência passou a ser um dos critérios usados para definir a alíquota dos automóveis. O ponto-chave está nos 85 kW, equivalentes a cerca de 115,6 cv. Até esse limite, não há acréscimo pela potência; acima dele e até 105 kW (cerca de 142 cv), entram 0,75 ponto percentual a mais nesse critério do imposto. Isso ajuda a explicar por que tantas fabricantes passaram a trabalhar justamente na faixa dos 115 ou 116 cv. O corte de potência não significa sozinho que um carro terá determinada alíquota final, já que o cálculo considera também eficiência energética, tipo de propulsão, segurança e reciclabilidade, mas permanecer nos 85 kW evita uma penalização adicional pela cavalaria. Mortos desde o fim do VW Santana, em 2006, carros só a etanol voltaram ao mercado graças ao novo IPI Foto de: Chevrolet Novas regras também ressuscitaram carro a etanol A nova tributação também abriu espaço para outro movimento que começa a aparecer no mercado brasileiro. Além da vantagem por permanecer dentro da faixa de até 85 kW, equivalentes a 115,6 cv, veículos movidos exclusivamente a etanol recebem redução adicional de 0,5 ponto percentual no IPI em relação aos flex. Foi esse benefício que levou a Chevrolet a voltar a investir em carros do tipo com o Onix Eco, equipado com motor 1.0 turbo de 115 cv e preparado para rodar somente com etanol. A Volkswagen pode seguir pelo mesmo caminho. A Quatro Rodas flagrou recentemente um Polo Track em testes identificado como 100% etanol e afirma que a marca desenvolve uma versão do conhecido 1.6 16V MSI preparada exclusivamente para o combustível, com potência justamente na casa dos 116 cv. O Autos Segredos, por sua vez, já apurou que o 1.6 16V MSI que hoje está na Saveiro também estará em sua sucessora, a Tukan. VW Tukan Robust Fotos de: Volkswagen VW Polo Track Nada impediria, portanto, que o Tera, agora mais potente em suas versões de topo, bem como outros produtos da marca alemã também não ganhem esse mesmo motor numa versão mais voltada ao público frotista, aos moldes do Onix Eco. Leia mais VW Tera 2027 terá motor mais potente e câmbio de oito marchas contra o Jeep Avenger Jeep em 10 anos: como a marca ganhou e perdeu mercado no período Comparativo Jeep Avenger vs. Jeep Renegade: comprar a novidade ou o veterano? Renault Kardian Vibe vira turbo mais barato por R$ 99.990