Desvalorização de elétrico com 4 anos é de 50%, mas cenário está mudando

admin
9 Sep, 2026
Um carro elétrico vendido zero-quilômetro em 2022 já perdeu, em média, metade do valor no mercado brasileiro de veículos usados. Levantamento do banco BV mostra desvalorização acumulada de 50,10% até agosto de 2026. Nos carros a combustão de mesma idade e características comparáveis, a queda foi consideravelmente menor, de 14,07%. Nos híbridos, de 22,59%. A diferença diminui entre os veículos ano 2023. Nesse grupo, os elétricos acumulam perda de 46,15%, ante 26,36% dos híbridos e 21,72% dos carros a combustão comparáveis. Em outras palavras: entre os modelos 2022, os elétricos perderam cerca de 3,6 vezes mais valor que os carros a combustão. Entre os 2023, a diferença cai para pouco mais do que o dobro. Quem acabou de colocar um elétrico na garagem, no entanto, pode respirar tranquilo. No recorde de 2022, e até no de 2023, o mercado de elétricos era muito diferente do atual. Entre os elétricos vendidos no Brasil naquele ano estavam Volvo XC40 Recharge e C40, Caoa Chery iCar, JAC e-JS1, Renault Kwid E-Tech, Nissan Leaf, Mini Cooper SE, Renault Zoe, Fiat 500e e BYD Tan, além de modelos de Audi, BMW e Porsche. Era uma oferta menor, com muitos carros caros e pouca variedade. Nos anos seguintes, chegaram novos modelos, mais marcas e uma concorrência que derrubou preços e acelerou a evolução de autonomia, baterias, recarga e tecnologia embarcada. O próprio BV cita esse movimento ao analisar a safra 2022. Segundo o levantamento, a chegada de modelos mais novos, competitivos e tecnologicamente superiores pressionou a revenda dos elétricos mais antigos. Elétricos recentes retêm mais valor O mercado de elétricos e híbridos usados têm uma diferença importante em relação ao de carros a combustão: a obsolescência mais acelerada da tecnologia. Como é um mercado em franco crescimento, a cada mês chegam novidades mais avançadas, com maior potência, autonomia e, em alguns casos, menores preços. Isso muda a lógica de depreciação dos carros usados. Everton Fernandes, presidente da Fenauto, que representa lojistas de veículos usados e seminovos, explica que os elétricos usados precisam ser separados por faixa de idade. "Nos temos nesse momento uma demanda forte por veículos eletrificados e uma oferta baixa no mercado de seminovos", afirmou. "Devido a esse desequilíbrio nessa relação oferta e demanda por veículos eletrificados, o preço do seminovo, ou seja, carros com até dois anos, está bem valorizado agora." Segundo Fernandes, os modelos com até 12 meses ainda se beneficiam mais dessa baixa oferta. Até os 36 meses, a tendência é de maior equilíbrio com os carros a combustão. Acima disso, que é exatamente a fatia do estudo, a depreciação tende a ser mais forte. "Na prática, se você vender seu elétrico novo nos próximos 12 meses, muito provavelmente você vai vender bem, porque tem pouca oferta e vai ter demanda. Se você vender daqui 36 meses, vai perder um pouco mais de valor, mas não tanto. Acima de 36 meses, a expectativa é que saiam novas tecnologias e ele esteja obsoleto em relação às novidades do momento", disse. É nessa faixa que estão hoje os carros de 2022. Fernandes explica que nos eletrificados, o envelhecimento não ocorre apenas pelo uso. Um modelo pode perder competitividade porque a geração seguinte chegou com bateria melhor, mais autonomia, recarga mais rápida ou mais tecnologia. Guerra de preços Outro fator importante na alta desvalorização dos elétricos com três e quatro anos de uso é o preço do zero-km. O relatório do BV explica que a desvalorização desses modelos reflete a redução dos preços dos modelos novos, num ambiente de concorrência mais acirrada e estratégias de preço mais agressivas das montadoras. Quando o zero-km fica mais barato, naturalmente, o usado sente. Para se ter uma ideia, um Nissan Leaf, em hatch elétrico, R$ 294.624 antes de sair de linha. O Renault Kwid E-Tech custava R$ 142.900, e enquanto o Caoa Chery iCar saía por R$ 139.990. Todos eles tinham menos de 200 km de autonomia e passaram por reduções grandes de preços por parte das próprias montadoras. Os modelos mais novos, porém, já mostram outro comportamento. O mercado tem opções com mais autonomia por menos de R$ 130 mil. O BYD Dolphin Mini, o mais barato do mercado, tem 280 km de autonomia e parte de R$ 109.990, enquanto Geely EX2 percorre 289 km com uma recarga e parte de R$ 123.800. Apenas a chegada dessas novidades já justifica um carro que custava mais do que isso há quatro anos perder metade do seu valor. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.