Bienal do Livro notifica editora Fruto Proibido, que teve beijos em mascarado
9 Sep, 2026
A Bienal do Livro de São Paulo notificou, nesta quarta-feira (9), a editora Fruto Proibido após cenas polêmicas ocorridas dentro do estande da empresa viralizarem nas redes sociais. Desde o domingo, circulam imagens de um homem mascarado —vestido como o personagem Ghostface, protagonista da franquia "Pânico"— seduzindo visitantes, em sua maioria mulheres jovens, com beijos e simulações de tapas e enforcamentos. A situação de teor erótico se deu no estande da Fruto Proibido, editora focada em "romances hot", com cenas de sexo de alta intensidade, e nos chamados "dark romances", que adicionam uma camada de violência à narrativa de sedução. Em nota, a Bienal do Livro afirma que a ação com o personagem não faz parte da programação oficial nem foi autorizada. "Assim que tomou conhecimento do ocorrido, a organização da Bienal notificou prontamente a editora responsável." O evento afirma não compactuar "com condutas ou ações inadequadas dirigidas ao público" e diz que "reafirma seu compromisso com a manutenção de um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todos os visitantes, expositores, autores, profissionais e demais participantes do evento". Após a repercussão nas redes, a editora Fruto Proibido publicou uma nota de esclarecimento em seu perfil do Instagram afirmando que "não contratou, convidou ou solicitou a presença" do homem mascarado e que não endossa qualquer uma de suas atitudes. "Sua passagem pelo estande aconteceu de forma espontânea e foi inicialmente recebida pela equipe e pelo público como um momento de descontração." A casa diz ainda que os vídeos e fotos que circularam nas redes foram feitos com o conhecimento e a pedido dos visitantes. "Redobraremos nossos cuidados e adotaremos critérios mais rigorosos para interações e gravações realizadas em nosso espaço durante eventos, buscando evitar que situações semelhantes voltem a acontecer." Essa não é a primeira vez que a Fruto Proibido causa tumulto na Bienal. Há dois anos, o estande teve uma de suas autoras, Kelly M., retirada do Distrito Anhembi. Na ocasião, a escritora estava acompanhada do modelo austríaco Erand Arifi, que representava um dos personagens de seu livro. Agora, a a autora foi incluída na programação oficial da Bienal e Arifi retornou com ela. A máscara de Ghostface, aliás, aparece em uma ilustração do livro "Desenfreados", de Kelly M. Nesta quarta, após a notificação, o estande da Fruto Proibido segue aberto e frequentado, inclusive, por crianças. O espaço fica em um corredor do Anhembi que congrega outras editoras de "romances hot", mas também serve como via de passagem para a Arena Cultural, onde acontece a programação de maior destaque da Bienal, e da área de autógrafos do evento. O gênero "dark romance" tem sido uma aposta nesta Bienal, que teve na segunda-feira um encontro, voltado a adultos, com as autoras Nàna Páuvoli, Lola Belluci e Zoe X, que escrevem sob pseudônimos. Em sua versão mais extrema, esse tipo de narrativa erótica faz da violência fonte de entretenimento e prazer. Páuvoli, a mais veterana da mesa, explicou o sucesso dos livros dizendo que "o proibido é mais gostoso". Belluci apontou que as fantasias das histórias vão além do desejo e do sexo. Citando tramas em que mocinhas em perigo vivem romances com ricaços e presidentes de empresas, ela disse que o "dark romance" cria também fantasias de poder.