Corinthians “troca de pele” na Libertadores e mira semifinal após 14 anos
11 Sep, 2026
Gol de Kaio César deixou Timão em boas condições para a volta contra o Estudiantes Rodrigo Coca / Agência Corinthians No empate com o Estudiantes, na última quarta-feira (9), o Corinthians mostrou novamente uma competitividade que destoa do momento atual no Campeonato Brasileiro. No período de um mês, a mesma equipe derrotada nos quatro jogos que fez pela competição nacional foi capaz de lidar com diferentes adversidades e se aproximar da melhor campanha do clube no torneio continental em 14 anos, desde o título de 2012. Na Argentina, o Timão sofreu um gol relâmpago aos 3 minutos do primeiro tempo, mas conseguiu empatar na segunda etapa, com o jovem Kaio César. Ainda sem contar com o artilheiro Yuri Alberto, a equipe resistiu ao ambiente hostil e ao jogo pegado em La Plata, incluindo defesa difícil de Hugo, e impediu que o adversário abrisse vantagem no mata-mata. Assim, repetiu a postura das oitavas de final contra outro argentino, o Rosário Central, em condições ainda mais difíceis. “É o que a torcida merece. O que a torcida merece de nós é entrega total, absoluta e irrestrita em todos os jogos. Jogar bem tecnicamente é algo que a gente treina. Mas essa entrega que os jogadores tiveram, isso faz uma simbiose que todo mundo ganha”, enalteceu o técnico Fernando Diniz após a partida contra o Estudiantes. Fragilidade doméstica do Corinthians se contrapõe à força no continente No dia 13 de agosto, o Corinthians empatou por 0 a 0 com o Rosario Central, no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores. Aos 35 minutos do segundo tempo da partida, o meio-campista Allan foi expulso. Porém, mesmo com um jogador a menos no Gigante do Arroyito lotado, a equipe sobreviveu às investidas de Di Maria e cia. Na semana seguinte, na Neo Química Arena, o cenário adverso deu as caras novamente. Aos 12 minutos do segundo tempo, Raniele foi expulso. Em meio à pressão do Rosario, o Corinthians chegou ao gol da vitória com Breno Bidon, aos 34 minutos, após cruzamento de Memphis Depay. Entre as duas partidas contra o clube argentino, houve a derrota para o Cruzeiro, em casa, que deu início à pior sequência de reveses do clube Brasileirão desde 2007. Antes do primeiro duelo contra o Estudiantes, o Timão acumulou mais três derrotas no Brasileirão, para Coritiba, Santos e a lanterna Chapecoense (as duas últimas na Neo Química Arena). Porém, no duelo da Libertadores a fragilidade no Brasileirão ficou para trás e a faceta resiliente voltou a entrar em campo. Na primeira fase da Libertadores já foi assim Fernando Diniz estreou no comando do Corinthians justamente na primeira rodada da Libertadores e também em solo argentino. Em 9 de abril, a equipe fez 2 a 0 no Platense e encerrou o jejum de nove jogos sem vencer que havia derrubado Dorival Júnior. O bom desempenho se repetiu em quase toda a fase de grupos do torneio, já dando mostras da ambivalência que tem marcado a temporada alvinegra. Nas rodadas seguintes, o Corinthians venceu Santa Fe-COL e Peñarol-URU em casa, arrancando empates com os dois adversários fora. Apenas no desfecho da etapa, já com a liderança garantida, veio a única derrota: 2 a 0 para o Platense, na Neo Química Arena. Com quatro empates e uma vitória, o Timão está invicto como visitante na atual edição. Esse retrospecto é eloquente por mostrar como Fernando Diniz tem conseguido mobilizar a equipe nos duelos tradicionalmente mais complicados na Libertadores. Em três desses jogos, o Corinthians saiu atrás e buscou a igualdade, mesmo diante da pressão do ambiente externo. A uma vitória da melhor campanha desde o único título Na próxima quarta-feira (16), na Neo Química Arena, o Corinthians precisa de uma vitória simples para eliminar o Estudiantes. Caso se classifique, será apenas a terceira vez na história que o clube ficará entre os quatro primeiros da Libertadores. A última foi em 2012, quando conquistou o seu único título. A outra edição em que o Timão chegou às semifinais foi em 2000, quando caiu para o arquirrival Palmeiras em traumática disputa de pênaltis. Por ora, o Corinthians já igualou a sua melhor campanha em 14 anos. Em 2022, a equipe também chegou às quartas de final, quando foi eliminada pelo Flamengo – derrotas por 2 a 0, em casa, e 1 a 0, no Maracanã. Uma vaga nas semifinais também irá produzir cenário inédito para a Neo Química Arena. Afinal, o estádio foi inaugurado em 2014. Portanto, dois anos depois do título de 2012. Assim, o palco em Itaquera pode abrigar pela primeira vez na história um duelo de fase tão aguda da Libertadores. No domingo, um jogo do Brasileirão que pode se repetir na Libertadores Antes da decisão contra o time de La Plata, o Corinthians visita o Flamengo domingo (13), no Maracanã, pela 27a rodada do Campeonato Brasileiro. A inglória tarefa de encarar o líder com o objetivo de interromper a série negativa na competição também pode ser uma prévia das semifinais da Libertadores. Isso porque o vencedor de Flamengo e Independiente del Valle-EQU será o rival de Corinthians ou Estudiantes nessa etapa da competição. No entanto, Diniz pregou cautela, prevendo um confronto acirrado contra os argentinos. “Não tem nada decidido. É parecido com Rosario. Foi 0 a 0 lá com jogador a menos. Jogo na Arena foi duro. (Estudiantes) É um time que responde bem fora de campo. Eles empataram contra o Flamengo. Tem que se dedicar ao máximo no jogo de lá pra poder fazer o nosso melhor. É um time que sabe jogar fora de casa, tem jogadores experientes e é um time muito organizado taticamente”, advertiu o treinador.