Para diretor da Surf roaming em IoT é questão de segurança nacional

admin
23 Sep, 2026
O diretor-executivo da Surf , Hilton Mendes, considera que o roaming na internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) é uma questão de segurança nacional . “A tendência é que surjam cada vez mais equipamentos autônomos e que precisarão de cobertura de rede em todos os locais”, disse o executivo no MVNO Experience 2026 , evento realizado por Mobile Time, em São Paulo, nesta terça-feira, 22. Na sua concepção, a garantia de acesso à rede precisa ser obrigatória e inserida dentro de um prazo estipulado pelo órgão regulador para as MNOs. Daniel Fuchs, vice-presidente de inovação da Arqia , acredita que o roaming também deve ser obrigatório às MVNOs , devido à criticidade de algumas operações, como monitoramento de saúde, segurança e telemetria. Ele também observou que a utilização de roaming permanente, embora seja mais barato, gera não só impeditivos, mas expõe o Brasil a riscos. “Se não temos uma regulamentação no país, deixamos isso a cargo de quem oferece o produto”, afirmou. MVNOs são agregadoras de valor Os painelistas também falaram sobre o papel das MVNOs no setor e como deixá-lo mais competitivo. Para a gerente regulatória e jurídica da Telcomp, Amanda Ferreira, as operadoras virtuais são agregadoras de valor e impulsionam novos negócios. “O órgão regulador precisa olhar com mais atenção às condições de negociação, aos preços e contratos entre essas empresas e as MVNOs, para que tudo isso seja adequado a ponto de fomentar o mercado”, observou. Na análise de Mendes, a “situação atual é lamentável” diante da insegurança regulatória e da postura da Anatel. Ele acredita que as operadoras virtuais não são vistas como meios para conter a alta concentração de mercado. Segundo o diretor da Surf, atualmente quase 90% do mercado brasileiro de telecomunicações se concentra em três MNOs. Bruno Ajuz, CMO da Telecall, apontou a insegurança jurídica como principal impeditivo para a expansão do setor, o que explica a presença de mercado das MVNOs estar estagnada em aproximadamente 5%. Teto de preço Outro ponto de destaque na discussão foi o teto de preço nos custos de acesso à rede e roaming no B2B. Para os painelistas é preciso ter um limite máximo para evitar a sufocação das margens e acelerar os acordos entre operadoras virtuais e MNOs. A gerente da Telcomp entende que é necessária uma intervenção regulatória para isso, pois o mercado ainda não é maduro o suficiente para suportar os moldes atuais. “Hoje, as MVNOs levam dois anos ou mais para fechar qualquer tipo de contrato e não só em relação ao preço”, disse. Mendes concordou com o apontamento, mas defendeu que a precificação geral e exclusividade entre operadoras virtuais e MNOs podem ser parte da livre negociação, considerando o relacionamento entre as partes, como histórico e consumo dos serviços. De acordo com Fuchs, no Brasil, os custos do acesso correspondem a quase 30% do valor faturado por uma MVNO, contra algo em torno dos 10% nos Estados Unidos. “As grandes operadoras precisam de nós de alguma forma, pois muitas vezes atendemos demandas específicas e menores, o que abre o mercado para uma empresa começar a usar os serviços de telecomunicações e expandir o seu a ponto de buscar uma MNO”, disse.