A operação do STF para analisar 510 GB de dados no celular de Vorcaro
23 Sep, 2026
Flávio Dino, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes em sessão do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução Gabinetes de cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mobilizaram equipes reduzidas para analisar a íntegra dos dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. O material reúne mensagens trocadas com autoridades e passou a ser examinado no âmbito de uma discussão sobre relatório da Polícia Federal, segundo o jornal O Globo . O volume dos dados impõe um obstáculo à análise: são cerca de 510 GB distribuídos em 32,7 mil arquivos, entre conversas, áudios e registros de chamadas telefônicas. Auxiliares dos ministros apontam “falta de braço” para ampliar os grupos responsáveis pela triagem sem comprometer outras tarefas dos gabinetes. Receberam acesso ao conteúdo os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Cada gabinete avalia métodos próprios para localizar referências específicas nos diálogos armazenados no aparelho. Os gabinetes também restringiram o acesso ao material por ele conter informações pessoais e dados ligados à intimidade de Vorcaro. A limitação busca reduzir a circulação dos arquivos e adequar a consulta à capacidade das equipes. Daniel Vorcaro. Foto: Agência O Globo Zanin defende análise limitada ao pedido da PGR O ministro Cristiano Zanin tem defendido que os dados sejam usados apenas para o objetivo que motivou o acesso: examinar os argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR) no pedido para declarar a nulidade do relatório da Polícia Federal sobre mensagens entre Vorcaro e Moraes. Zanin é o integrante mais novo da Corte entre os ministros que solicitaram o material. A posição de cautela adotada por seu gabinete restringe a análise às conversas e informações pertinentes à discussão processual apresentada pela PGR. Antes de chegar ao STF, Zanin atuou como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no pedido de acesso às provas da Operação Spoofing, investigação sobre o hackeamento de autoridades, entre elas o ex-juiz Sergio Moro. A defesa de Lula usou diálogos obtidos no caso para pedir a anulação de condenações impostas ao petista. Em 2021, o então ministro Ricardo Lewandowski determinou o envio ao seu gabinete de cópias das perícias e do relatório final da Operação Spoofing. Embora o material apreendido tivesse cerca de 7 TB, a defesa de Lula acessou apenas mensagens relacionadas direta ou indiretamente ao presidente e às investigações e ações penais contra ele.