Espetáculo transforma caminhada de 240 km em experiência cênica com realidade virtual

admin
16 Oct, 2026
Uma caminhada de 240 quilômetros pelo litoral do Rio Grande do Sul, entre Rio Grande e Chuí, no extremo Sul do país, é o ponto de partida do espetáculo “A Travessia – Uma Realidade Ficcional”. Idealizada pela artista Juana Rondon a partir de uma experiência vivida com a bailarina Paola Luduvice, em 2017, a produção combina dança, recursos digitais e realidade virtual para abordar os limites físicos e emocionais, a relação com a tecnologia e a importância de vivenciar o mundo para além das telas. A montagem chega à Sala Plínio Marcos, no Eixo Cultural Ibero-Americano, nos dias 23 e 24 de outubro, com três apresentações gratuitas. As sessões serão realizadas na sexta-feira (23), às 19h30, e no sábado (24), às 16h e às 19h30. A última apresentação contará com tradução em Libras, audiodescrição e um debate com a direção e o elenco sobre o processo criativo. Da experiência real ao palco A origem do espetáculo está na jornada percorrida por Juana Rondon e Paola Luduvice em 2017. Ao longo de sete dias, as artistas caminharam cerca de 240 quilômetros entre Rio Grande e Chuí. O trajeto, marcado pela paisagem repetitiva, com o mar de um lado e a areia do outro, exigiu resistência física e disposição para enfrentar o isolamento e a monotonia. A experiência se transformou em pesquisa artística e passou a circular por diferentes espaços. Em 2019, o trabalho foi apresentado em um evento na Grécia. Em 2023, chegou ao Sesc Ceilândia, e, no ano seguinte, integrou um evento internacional na Espanha. Na montagem, a trajetória ganha novas camadas por meio da dança e da tecnologia. Antes de entrar na sala de espetáculo, o público poderá conhecer parte da história das artistas em um ambiente com recursos virtuais, que antecipa a experiência cênica. “ A realidade ficcional começará já na entrada do teatro. O público poderá vivenciar, conhecer os cenários da história e usar sua imaginação como se eles estivessem lá”, destaca Juana Rondon. Tecnologia, movimento e comportamento A obra também propõe uma reflexão sobre os efeitos das redes sociais e da conexão permanente na vida cotidiana. Para a diretora, o excesso de informações e a comparação constante com as experiências compartilhadas por outras pessoas podem limitar a disposição para viver novas aventuras e explorar o mundo fora das telas. “A influência das redes sociais mudou o comportamento humano. Hoje vemos corpos parados, apenas com a mente acompanhando informações em algum aplicativo de celular, muitas vezes sem grandes emoções, gerando medo, paralisia”, afirma Juana. A proposta é transformar essa inquietação em uma experiência compartilhada com a plateia. Para isso, a produção utiliza dança digital, cenografia digital e realidade virtual, com tecnologia desenvolvida pela empresa paulista Um Cafofo. As projeções e os recursos imersivos ampliam as possibilidades de interação entre o público e a narrativa. No elenco estão Bárbara Campos, Jéssica Rayane, Juana Rondon e Paola Luduvice. A trilha sonora original é assinada por Paulo Lessa, enquanto André Grynwask, da Um Cafofo, responde pela cenografia digital. Serviço Data: 23 de outubro, às 19h30; e 24 de outubro, às 16h e às 19h30. Local: Sala Plínio Marcos, no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), Eixo Monumental. Ingressos: gratuitos, com retirada antecipada pelo Sympla ou no local, sujeitos à lotação. Acessibilidade: a sessão de 24 de outubro, às 19h30, contará com tradução em Libras e audiodescrição, seguida de debate com a direção e o elenco. Classificação indicativa: não recomendado para menores de 10 anos. Mais informações: Instagram @rodagigantemkt.