Marcelo Sommer e Luiz Monteiro aceleram a moda e roubam a cena no SPFW
18 Oct, 2026
Domingo em Madrid, 12 graus, e eu aqui tentando entender como a Europa consegue ficar ainda mais gelada quando o noticiário esquenta. As notícias de violência e tensão na França e na Itália preocupam, e o clima está longe de ser festivo. Minhas amigas, tem dia em que nem o melhor jamón espanhol consegue melhorar o humor de uma fofoqueira internacional. Mas eis que o meu celular apita e, finalmente, uma notícia para aquecer este coração carioca congelado: Marcelo Sommer e Luiz Monteiro simplesmente deram um espetáculo no São Paulo Fashion Week. E eu, que estava quase entrando em estado de hibernação, ressuscitei feito top model ouvindo o primeiro acorde da trilha do desfile! O acontecimento foi na manhã de sábado (17), na Galeria Verniz, durante a 61ª edição do SPFW. A dupla apresentou a nova coleção da UÓ Upcycling e resolveu fazer uma mistura que, no papel, poderia parecer uma maluquice: lingerie, alfaiataria, carros de corrida e NASCAR. Pois não é que funcionou? E muito! Meus amores, quando existe talento, até camisola antiga consegue ultrapassar um carro de Fórmula 1 na curva da criatividade. E não pensem que colocaram qualquer pessoa para desfilar, não. Carol Bittencourt, Luciana Curtis e Ana Clara Michels cruzaram a passarela. Estamos falando de mulheres que conhecem a moda brasileira por dentro, por fora e provavelmente até pelo avesso. Enquanto algumas marcas vivem desesperadas atrás da próxima celebridade viral, Sommer e Monteiro foram buscar nomes que carregam história. Isso, minhas filhas, é saber montar um elenco sem precisar implorar por engajamento. Agora, segurem os leques, porque a primeira fila também estava uma verdadeira convenção de gente que entende de moda. Alexandre Herchcovitch, Erika Palomino, Caio Braz, Gabb, Helo Rocha, Victor Collor e Paulo Borges marcaram presença. Gente, se aquele povo resolvesse abrir uma reunião extraordinária sobre o futuro da moda brasileira, não precisaria nem reservar outra sala. O conselho inteiro já estava sentado ali! Mas o que realmente me fez largar mentalmente as tapas foi a proposta da coleção. Com styling de Antonio Frajado, a UÓ Upcycling foi buscar tecidos e materiais em tecelagens antigas, brechós e acervos vintage. Tudo desconstruído, reconstruído e transformado em novas silhuetas. Até as antigas camisolas ganharam outra vida. Eu fiquei imaginando a quantidade de peça esquecida em armário que, nas mãos dessa dupla, poderia sair de casa diretamente para uma passarela internacional. E aqui vai minha alfinetada dominical: tem marca que passa seis meses fazendo reunião para decidir qual tom de bege representa o futuro. Marcelo Sommer e Luiz Monteiro foram ao passado, recuperaram materiais e entregaram uma coleção com personalidade. O conceito de upcycling, tão repetido nos discursos de sustentabilidade, apareceu ali como parte concreta do processo criativo. Porque discurso bonito qualquer departamento de marketing escreve. Quero ver transformar roupa esquecida em desejo fashion. A inspiração nas pistas de automobilismo também merece aplausos. A estética racing apareceu em diálogo com a alfaiataria e a lingerie, sem abandonar a identidade autoral da coleção. Uma combinação improvável que encontrou seu próprio caminho na passarela. E pensar que tudo isso aconteceu enquanto eu estava aqui, do outro lado do Atlântico, tentando sobreviver ao frio madrilenho e a um domingo de notícias difíceis. Vou dizer uma coisa: a moda brasileira tem seus exageros, suas vaidades e seus egos que mal cabem num elevador. Mas também tem criadores capazes de fazer a gente lembrar por que esse universo continua fascinante. Marcelo Sommer e Luiz Monteiro fizeram exatamente isso. Porque, minhas filhas, enquanto muita gente corre atrás da próxima tendência, essa dupla pegou o passado, colocou um motor de criatividade e deixou a mesmice comendo poeira. E eu? Continuo em Madrid, com 12 graus, precisando de um casaco e querendo uma peça dessa coleção. De preferência antes que a temperatura caia mais.