Tesla promete carro que voa, mas chegada às ruas ainda é dúvida
19 Oct, 2026
Tesla promete carro que voa, mas chegada às ruas ainda é dúvida Esportivo elétrico recorre a tecnologias da SpaceX e promete aceleração em 0,8s, porém esbarra na falta de credibilidade da marca em relação a prazos Fazer um carro acelerar de zero a 97 km/h em menos de um segundo já seria suficiente para chamar a atenção. A Tesla, porém, quer ir além: o novo Roadster promete realizar acrobacias aéreas com propulsores inspirados em tecnologias da SpaceX. O espetáculo apresentado na semana passada, no Texas, nos Estados Unidos, impressionou, mas também reforçou a principal dúvida em torno do esportivo elétrico: quando as promessas vão se transformar em um modelo disponível para os consumidores? A demonstração incluiu uma manobra em que o veículo percorreu uma rampa invertida, desprendeu-se da estrutura, girou no ar e pousou com auxílio de propulsores a gás frio. O conjunto também utiliza ventoinhas sob a carroceria, capazes de gerar até 2G de força descendente, informou a fabricante. A Tesla afirma que a versão mais radical do Roadster poderá acelerar de zero a 100 km/h em menos de 1 segundo. Atrasos constantes A distância entre o espetáculo e a realidade, entretanto, não é novidade na trajetória do modelo - e nem em todos os outros já lançados pela marca. Apresentado em 2017, o Roadster tinha lançamento inicialmente previsto para 2020, mas passou por sucessivos adiamentos. Agora, a Tesla projeta iniciar a produção em 2028. Contudo, mesmo após a nova exibição, informações essenciais continuam ausentes. A marca não fala em autonomia, capacidade da bateria, potência total, peso e detalhes sobre o funcionamento dos propulsores em condições normais de uso, por exemplo. A fabricante anunciou três configurações: Performance, Thrust e Rocket e até depósitos para reservas. Os valores começam em US$ 50 mil (R$ 252,6 mil, na conversão direta), enquanto a versão Thrust exige US$ 250 mil (R$ 1,26 mi). A Rocket será oferecida sob convite e terá apenas um assento central. A proposta é posicionar o Roadster como um esportivo de desempenho extremo, combinando recursos incomuns na indústria automotiva com soluções desenvolvidas no universo aeroespacial. O projeto também representa uma exceção nos planos de Elon Musk para a Tesla. O executivo afirmou que o Roadster deverá ser o último modelo da marca concebido para condução humana, enquanto os demais caminham para a autonomia. Por enquanto, contudo, a empresa precisa superar um desafio menos espetacular do que fazer um carro voar: cumprir o cronograma, homologar a tecnologia e entregar unidades aos compradores. Afinal, uma apresentação pode desafiar os limites da engenharia, mas é a produção em série que determina se uma promessa se torna realidade.