Marcelo Paz deixa a diretoria do Corinthians

admin
20 Oct, 2026
Marcelo Paz deixa a diretoria do Corinthians Marcelo Paz não é mais executivo de futebol do Corinthians. O dirigente acertou a saída do Parque São Jorge nesta terça-feira, após reunião com o presidente Osmar Stabile. "O Sport Club Corinthians Paulista informa que, após reunião realizada entre o presidente Osmar Stabile e o Executivo de Futebol Marcelo Paz, as partes decidiram, em comum acordo, pelo fim do ciclo de trabalho do profissional junto ao Clube. O Corinthians agradece os serviços prestados e deseja sucesso na sequência de sua trajetória profissional", informou o clube em nota oficial. Marcelo Paz chegou ao clube do Parque São Jorge em dezembro de 2025 para ocupar a função deixada por Fabinho Soldado, que se transferiu para o Internacional. O executivo assumiu o comando do departamento de futebol alvinegro com contrato até o fim de 2026. Além da pressão interna, o cenário político do Corinthians também pesava sobre o futuro de Paz, já que as eleições presidenciais estão marcadas para 28 de novembro, e o clube terá outro presidente a partir de 1º de janeiro de 2027. Na hierarquia corinthiana, o executivo respondia diretamente ao presidente e tinha entre suas atribuições comandar o relacionamento do departamento de futebol com jogadores, comissão técnica e funcionários do CT Dr. Joaquim Grava. Também participava diretamente das negociações para contratações, vendas e renovações de contratos. Desde abril, Marcelo Paz contava com o suporte do ex-goleiro Julio Cesar, que ocupa o cargo de gerente de futebol e atua mais próximo dos atletas. Sob a gestão de Paz, o Corinthians realizou a primeira janela de transferências do ano com uma postura mais conservadora, priorizando jogadores livres no mercado e empréstimos diante da crise financeira do clube. Gabriel Paulista, Pedro Milans, Zakaria Labyad e Jesse Lingard chegaram sem a necessidade de aquisição de direitos econômicos, enquanto Allan, Matheus Pereira e Kaio César foram contratados por empréstimo. No caso de Allan, o Corinthians não pagou pelo empréstimo ao Flamengo e assumiu integralmente os salários do volante. O contrato ainda prevê uma opção de compra de 2 milhões de euros (cerca de R$ 11,24 milhões), como trouxe o portal. Matheus Pereira, por sua vez, foi cedido pelo Fortaleza até o fim de 2026. O clube do Parque São Jorge também ficou responsável pelos vencimentos do jogador e terá a possibilidade de adquiri-lo em definitivo por cerca de 2 milhões de dólares (aproximadamente R$ 10,4 milhões), além da cessão temporária do volante Ryan, que também terá os salários pagos integralmente pelo clube alvinegro, segundo apuração do Meu Timão. Já Kaio César chegou por empréstimo do Al-Hilal, da Arábia Saudita, até o fim da temporada. A operação envolveu cerca de 500 mil euros (aproximadamente R$ 3,1 milhões) pelo empréstimo, valor que será abatido em caso de compra. A opção para adquirir 50% dos direitos econômicos do atacante foi fixada em 6 milhões de euros (cerca de R$ 30,11 milhões), de acordo com o ge.globo. Negociações travadas por Osmar Stabile Apesar de, na teoria, Marcelo Paz ser o responsável pelo departamento de futebol, algumas decisões importantes ao longo da temporada acabaram passando pelo crivo de Osmar Stabile. Um dos principais exemplos foi a negociação do volante André com o Milan, da Itália. Em fevereiro, o clube italiano apresentou uma proposta que poderia chegar a € 17 milhões (R$ 104 milhões na época) pela aquisição de 70% dos direitos econômicos do jogador. O negócio, porém, não avançou. Stabile optou por segurar o volante naquele momento, decisão que posteriormente defendeu publicamente, alegando que a equipe precisava contar com o jogador para a sequência da temporada. Marcelo Paz adotou um discurso de respeito à hierarquia do clube ao tratar da situação. O executivo reconheceu que a decisão final sobre uma negociação desse porte cabia ao presidente, ainda que o departamento de futebol tivesse participado das tratativas e avaliado os termos apresentados. O cenário também se repetiu em outras negociações. No início do ano, Corinthians e São Paulo chegaram a um acordo para o empréstimo do volante Alisson, um pedido do então técnico Dorival Júnior. A operação previa o pagamento de R$ 1 milhão pelo empréstimo, além de outros R$ 500 mil no segundo semestre e R$ 1,5 milhão caso algumas metas fossem atingidas. O Corinthians, porém, recuou após uma nova avaliação financeira da operação. A decisão de Stabile gerou um mal-estar nos bastidores, e Marcelo Paz chegou a telefonar para Alisson para pedir desculpas pela reviravolta em nome do clube, depois de ter visitado o CT. Outro caso foi o do atacante Kayky, que estava no Bahia e pertencia ao Grupo City. Segundo o ge.globo, Paz havia avançado nas tratativas pelo empréstimo do jogador, mas a negociação acabou interrompida. Stabile entendeu que não seria coerente avançar com o negócio diante do conflito entre Corinthians e Bahia envolvendo o jovem Kauê Furquim. O atacante havia deixado a base do Timão em 2025 para defender os baianos, após o clube baiano pagar R$ 14 milhões, valor referente à multa rescisória do contrato do jogador. O Corinthians, porém, acusou o Bahia de ter participado de um suposto aliciamento do atleta e acionou a Confederação Brasileira (CBF) para tratar do caso. Diante do desgaste entre as duas diretorias, a equipe alvinegra decidiu não prosseguir com a contratação de Kayky. Novela Memphis Depay e saída de Diniz A situação também envolveu Memphis Depay. Após meses de negociações para renovar o contrato do atacante, Marcelo Paz conduziu as tratativas, mas Stabile decidiu inicialmente não seguir com a extensão, alegando responsabilidade financeira. O presidente, porém, reabriu as conversas poucos dias depois, e a renovação acabou sendo concluída após uma redução nos valores do novo acordo. Memphis assinou vínculo com o Corinthians até julho de 2028. A reviravolta na negociação de Memphis ocorreu após uma redução de R$ 13,7 milhões nos termos do novo contrato. O atacante abriu mão de uma ajuda de custo de R$ 250 mil mensais, que representaria R$ 6 milhões ao longo do vínculo, e reduziu a verba de marketing de R$ 15,4 milhões para R$ 7,7 milhões. A dívida referente ao primeiro contrato, por sua vez, foi fixada em R$ 42 milhões, a serem pagos em quatro parcelas semestrais a partir de janeiro de 2027. A atuação de Marcelo Paz também ganhou destaque durante a crise envolvendo Fernando Diniz. Em 20 de setembro, após a derrota para o Fluminense, por 3 a 1, o executivo veio a público defender a permanência do treinador e afirmou que a decisão havia sido tomada em conjunto com a presidência, além de citar o apoio de lideranças do elenco. O treinador teve um período de 16 dias sem jogos para preparar a equipe durante a Super Data Fifa, mas acabou demitido em 7 de outubro, após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, no Beira-Rio, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado representou a sétima derrota consecutiva do Corinthians na competição e deixou a equipe na 16ª colocação, com 32 pontos, apenas um acima da zona de rebaixamento. Tranfer bans e salários atrasados Em meio a um endividamento próximo dos R$ 3 bilhões, o Corinthians convive com uma série de pendências financeiras, como três transfer bans e atrasos recorrentes no pagamento de salários e direitos de imagem. Devido aos impedimentos de contratações, o Timão foi a única equipe da Série A do Brasileirão a não se reforçar na janela do meio da temporada. Antes de receber a primeira sanção do ano, em maio de 2026, Marcelo Paz teve participação importante nas negociações com o Talleres, da Argentina, pela dívida referente à contratação de Rodrigo Garro. O clube argentino cobrava valores que se arrastavam desde a negociação realizada em 2024, e a diretoria alvinegra buscou um acordo para evitar uma nova punição da Fifa. Em junho, o Corinthians quitou a dívida após acertar o pagamento de 7 milhões de dólares (cerca de R$ 35,7 milhões na cotação da época) ao Talleres. Apesar disso, o Corinthians voltou a acumular transfer bans ao longo da temporada. O clube do Parque São Jorge chegou a sofrer quatro punições em um intervalo de dois meses, sendo três aplicadas pela Fifa e uma pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Uma das sanções, relacionada ao não pagamento de uma multa de 225 mil dólares (R$ 1,1 milhão na cotação da época), foi posteriormente quitada, mas o Timão segue com três transfer bans ativos, relacionados às dívidas com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação de José Martínez, com o Midtjylland, da Dinamarca, pela aquisição de Charles, e ao acordo firmado na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Somadas, as três pendências giram em torno de R$ 21,5 milhões. Os atrasos com o elenco também se tornaram recorrentes. Em maio, o Corinthians precisou regularizar os salários via CLT dos jogadores e da comissão técnica de Fernando Diniz, que deveriam ter sido pagos até o quinto dia útil, com prazo. No mês seguinte, houve novo atraso, novamente envolvendo os vencimentos do elenco profissional, enquanto os direitos de imagem permaneceram em aberto. Mais recentemente, o Timão voltou a conviver com atrasos de salários, direitos de imagem e premiações, tanto na equipe masculina quanto na feminina e até no elenco de basquete. Na última quarta-feira, o Corinthians ainda conseguiu desbloquear R$ 27 milhões junto à Caixa Econômica Federal, que estavam reservados para o pagamento da parcela de setembro do financiamento da Neo Química Arena. O valor deverá ser utilizado para quitar vencimentos atrasados, enquanto o banco se comprometeu a não executar as garantias durante as negociações envolvendo a dívida da Arena. O clube do Parque São Jorge também segue em tratativas com a Caixa pela possível venda dos naming rights do estádio.