Universidades paulistas estão no topo de ranking da Folha desde a primeira edição
23 Oct, 2026
Há um fenômeno evidente no RUF – Ranking Universitário Folha: a predominância de universidades públicas paulistas classificadas entre as melhores do país. A última edição, que veio à tona em outubro, trouxe duas universidades do estado — a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — na liderança nacional do ranking. Também estão no topo a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em sexto lugar, e a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), em décimo. O ranking, que ajudei a criar e cujo conselho consultivo eu integro, é publicado anualmente pelo jornal Folha de S.Paulo desde 2012, com um hiato na pandemia (não houve edições em 2020, 2021 e 2022). Essa é, portanto, a 12ª edição da listagem, a única nesse perfil no país. A avaliação olha para todas as universidades brasileiras a partir de cinco critérios: pesquisa, internacionalização, inovação, ensino e mercado — os três primeiros valem metade da nota recebida por cada universidade, e os últimos somam a segunda metade. Instituições que vão bem no RUF (como as universidades públicas paulistas) tendem a se destacar nacionalmente nos esforços e nos resultados para a produção de ciência e de tecnologia. Estamos falando, por exemplo, da quantidade de artigos científicos produzidos ou de teses defendidas para cada docente e de patentes concedidas para cada universidade. Esses dados — e os demais que compõem o ranking — são coletados pelo RUF em bases variadas, internacionais e nacionais, e chegam a milhões de campos de informação por edição da listagem. A USP liderou todas as edições do RUF com exceção daquelas de 2016 e de 2017, quando o topo nacional ficou com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E o desempenho paulista tem melhorado a cada ano. Na primeira edição do RUF (2012) havia três paulistas no topo: USP (primeiro lugar), Unicamp (quinto lugar) e Unesp (sexto lugar). Agora, como vimos, são quatro universidades públicas paulistas no top 10. Para se ter uma ideia, em média, uma universidade estadual ou federal de São Paulo recebeu 91 pontos na edição do RUF de 2026. No país, a nota média é de 49,7 pontos, considerando as 205 universidades brasileiras (todas as instituições ativas no MEC, de acordo com o último Censo da Educação Superior disponível, entram na classificação). Também são avaliados no RUF anualmente aspectos relacionados ao ensino e ao mercado. Aqui, entram na conta indicadores como a nota média dos estudantes de cada universidade no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), do MEC, e a quantidade proporcional de professores com dedicação parcial e integral na instituição (ou seja, o número de docentes que não recebem apenas por hora-aula, os chamados horistas). Compõem a nota de ensino e de mercado do RUF, também, duas pesquisas nacionais feitas pelo Datafolha com professores e com empregadores de todo o país. Essa é a parte qualitativa do ranking, que visa transformar opinião em indicadores de avaliação. Foi inspirada em rankings universitários britânicos, que avaliam universidades de todo o mundo, como o Times Higher Education (THE) e o QS. O Ranking de Shangai, o ARWU, que já foi assunto nesta coluna, baseia-se integralmente em indicadores quantitativos. As universidades públicas paulistas lideram todos os indicadores do RUF: ensino, pesquisa e mercado (USP), inovação (Unicamp) e internacionalização (Universidade Federal do ABC, a UFABC) — esse último mede, por exemplo, a porcentagem de pesquisas feitas em colaboração internacional e a quantidade proporcional de docentes estrangeiros. Aqui, vale um adendo: a UFABC, fundada em 2005, é a melhor universidade do país entre as mais jovens no RUF. Está em 36º lugar na classificação total do país no ranking, mas sobe para o primeiro lugar nacional considerando apenas as universidades com menos de 30 anos. Há, ainda, universidades privadas de destaque nos indicadores do RUF no cenário paulista (existem 27 universidades privadas em SP). Caso da Universidade Presbiteriana Mackenzie (71,72 pontos), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC-SP, (68,42 pontos) e da PUC-Campinas (59,39). Todas têm mais de 50 anos. A informação sobre a idade da instituição é importante. Isso porque há uma correlação entre o tempo de fundação da universidade e a sua posição no ranking. Basicamente, universidades mais antigas tendem a ficar mais bem posicionadas no RUF. Com exceção da Unesp, que completa 50 anos neste 2026, as 25 melhores universidades do país no RUF têm mais de meio século de vida. Vão muito bem no RUF, desde as primeiras edições, por exemplo, as universidades federais de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. Aqui se observa outro fenômeno: uma concentração de universidades no Sudeste e no Sul do país no topo da lista. É claro que avaliações como o RUF — e qualquer outro ranking universitário — deixam muita coisa de fora dos critérios de avaliação. Caso do relacionamento entre aluno e docente que influencia o processo de aprendizagem, dos aspectos estruturais das instituições e da diversidade do corpo docente e discente. São aspectos muitas vezes difíceis de mensurar. Justamente por isso, rankings mais recentes, como a listagem do Times Higher Education com foco em impacto social, começaram a incluir na conta aspectos como a quantidade de pesquisa sobre combate à pobreza na universidade, programas de assistência estudantil e ações da universidade para reduzir o desperdício de comida. Isso tudo, claro, deve entrar na reflexão sobre o que é uma boa universidade e qual é a sua missão no seu entorno ou no país. O RUF mostra, no entanto, a partir do seu conjunto de critérios, que é inegável o destaque de São Paulo no ecossistema da educação superior do Brasil. Todos os indicadores do RUF 2026 são liderados por universidades públicas de SP • Ensino – USP • Pesquisa – USP • Internacionalização – UFABC • Inovação – Unicamp • Mercado – USP 4 universidades públicas paulistas estão no top 10 nacional • USP (1º lugar) • Unicamp (2º lugar) • Unesp (6º lugar) • Ufscar (10º) Foram avaliadas 205 universidades na edição do RUF de 2026 35 dessas universidades estão em SP: seis públicas estaduais e federais, 27 privadas e duas municipais 91 pontos foi a nota média recebida por estaduais e federais paulistas 42 pontos foi a nota média recebida pelas universidades privadas paulistas 49,7 pontos é a nota média de uma universidade brasileira no RUF É permitida a republicação desta reportagem em meios digitais de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. É obrigatório o cumprimento da Política de Republicação Digital de Conteúdo de Pesquisa FAPESP, aqui especificada. 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